Moegão de Paranaguá faz primeira conexão com terminal privado

Estrutura de 55 metros liga o complexo ao terminal PAR25. Obra de cerca de R$ 700 milhões prevê integrar 11 terminais e elevar a capacidade ferroviária para até 24 milhões de toneladas por ano.
O complexo ferroviário Moegão, em construção no Porto de Paranaguá, realizou em 11 de outubro sua primeira conexão física com um terminal privado. Uma estrutura metálica de 55 metros de comprimento e cerca de 35 toneladas passou a ligar a galeria central do sistema ao terminal PAR25, operado pela ALTP, consórcio formado por Louis Dreyfus Company e Amaggi.
Marco físico, não entrega final
A instalação é um marco intermediário da obra, e não sua conclusão. Segundo a Portos do Paraná, o complexo recebe investimento de cerca de R$ 700 milhões e deverá conectar, até outubro de 2027, os 11 terminais do Corredor de Exportação Leste.
Galeria central distribui a carga
O Moegão foi projetado para centralizar o recebimento de granéis vegetais transportados por ferrovia e transferi-los aos terminais por correias. A galeria central tem 1,7 quilômetro e abriga mais de 4 mil metros de esteiras transportadoras.
A primeira ligação exigiu um guindaste com capacidade para elevar até 600 toneladas a uma altura máxima de 48 metros. A movimentação principal durou aproximadamente duas horas, seguida por mais quatro horas de fixação, de acordo com o executor.
Capacidade projetada pode chegar a 24 milhões de toneladas
A expectativa oficial é elevar a capacidade de recebimento ferroviário de pouco mais de 5 milhões para até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano. Trata-se de capacidade projetada: sua materialização dependerá da conclusão das conexões, do comissionamento e da operação integrada de ferrovias, correias e terminais.
O desenho prevê três linhas férreas independentes, recepção de até 180 vagões simultaneamente e descarga de três vagões por vez em cada linha. A Portos do Paraná estima capacidade de 900 vagões a cada 24 horas, ante cerca de 550 no arranjo atual, e ganho de eficiência operacional de 63%.
Menos manobras e passagens de nível
Hoje, os trens são direcionados individualmente aos terminais, o que exige manobras e pode interromper vias da região portuária. Com a centralização, o número de passagens de nível deve cair de 16 para cinco e as interrupções estimadas devem se limitar à passagem das composições, em média entre 10 e 15 minutos.
A obra também foi dimensionada para dialogar com a expansão da Ferroeste e com a reestruturação da Malha Sul. Essa integração, porém, depende de cronogramas, decisões regulatórias, investimentos e execução próprios; a instalação da primeira conexão não assegura, por si só, a ampliação dessas ferrovias.
O que acompanhar até outubro de 2027
Depois do marco físico de 11 de outubro, os indicadores relevantes serão a conexão dos dez terminais restantes, a conclusão das correias e sistemas de controle, os testes integrados e a entrada em operação. Também será necessário confrontar a capacidade projetada com os volumes efetivamente recebidos por ferrovia.
