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EPE projeta diesel até 10,6% acima de 2025 nos sistemas isolados em 2027

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Ilustração editorial de barcaça de combustível chegando a usina térmica e tanques em comunidade ribeirinha amazônica
Logística fluvial, armazenamento e geração térmica compõem o custo dos sistemas isolados. Ilustração conceitual original: LAWINFRA/IA; a cena não representa uma instalação específica.

Estudo usado no orçamento da Conta de Consumo de Combustíveis estima leve recuo ante 2026, mas preços ainda maiores que os de 2025. Navegação, estoques e contratos serão decisivos na Região Norte.

Os preços do óleo diesel pagos pelos geradores dos sistemas isolados devem ficar entre 4,6% e 10,6% acima dos níveis de 2025 em 2027, segundo projeção publicada nesta quinta-feira (15 de outubro) pela Empresa de Pesquisa Energética. Em comparação com 2026, a expectativa é de ligeiro recuo, mas a logística da Região Norte e uma eventual estiagem prolongada mantêm diferenças importantes entre localidades.

A EPE estima que o preço médio de realização do diesel — valor de venda de produtores e importadores, antes das demais parcelas — alcance R$ 3,78 por litro em 2027, em valores de dezembro de 2025. A referência é superior aos R$ 3,62 projetados para 2026 e aos R$ 3,42 registrados em 2025, mas permanece bem abaixo dos R$ 5,42 de 2022.

Preço de realização é apenas uma parte da conta

O movimento do preço de realização não se confunde com o valor final pago pela usina. A conta incorpora tributos federais e estaduais, mistura de biodiesel, margens de distribuição e o custo adicional de transportar e armazenar combustível em localidades desconectadas do Sistema Interligado Nacional. Essa composição explica por que a projeção para os geradores pode recuar diante de 2026 mesmo com alta da referência de realização.

A projeção alimenta o orçamento da CCC

O estudo servirá de apoio à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica na previsão orçamentária da Conta de Consumo de Combustíveis, a CCC. O encargo reembolsa custos de combustível, geração própria, contratos de potência e energia, despesas acessórias e tributos nos sistemas isolados. Ele é pago pelas distribuidoras e transmissoras e, portanto, integra a cadeia de custos que chega às tarifas de energia de consumidores em todo o país.

A EPE atribui a trajetória internacional à sobreoferta de petróleo e à adaptação do refino global aos conflitos no Irã e na Ucrânia. Para o mercado doméstico, considera que os tributos acompanhem a inflação, com efeito limitado sobre o preço final. Essas são premissas de projeção: mudanças no petróleo, no câmbio, na tributação ou na oferta de derivados podem alterar os valores realizados.

Navegação e estoques definem o risco no Norte

Na Região Norte, o risco operacional está na navegação. A EPE trabalha com restrições associadas ao El Niño de 2026 e 2027, que podem dificultar o transporte fluvial. A ampliação de tanques e a renegociação de contratos por distribuidores e geradores tendem a reduzir o prêmio regional, mas a efetividade dessa proteção dependerá do volume armazenado, da duração da estiagem e da capacidade de entrega em cada localidade.

O Operador Nacional do Sistema informa que a maior parte das localidades isoladas brasileiras está no Norte e que a geração ainda depende principalmente de térmicas a diesel. O ONS prepara o Plano Anual da Operação dos Sistemas Isolados, que alimenta o Plano Anual de Custos da CCC consolidado pela CCEE e submetido à Agência Nacional de Energia Elétrica.

Reduzir diesel exige alternativas firmes

Uma avaliação independente do Regulatory Assistance Project publicada em outubro sustenta que a interligação de Boa Vista reduziu o peso da CCC, mas deixou um conjunto menor e mais difícil de atender, no qual o diesel continua relevante. O estudo defende eficiência energética, redução de perdas, geração solar, armazenamento e leilões mais adequados como caminhos para reduzir custo e risco sem comprometer a segurança local.

Os próximos marcos serão o Plano Anual de Custos da CCC, a fiscalização da Aneel, a evolução dos níveis dos rios e os preços efetivamente contratados pelos geradores. Para consumidores, o ponto central é quanto das projeções se converterá em reembolso e em necessidade de arrecadação do encargo; para operadores, é assegurar combustível e potência durante a estiagem sem ampliar despesas emergenciais.