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Três data centers vencem primeira disputa da PNAST por 228 MW em São Paulo

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Ilustração editorial de campus de data centers conectado a subestação e linhas de transmissão ao anoitecer
Data centers e Rede Básica em imagem editorial conceitual produzida com inteligência artificial; a cena não retrata os empreendimentos vencedores nem instalações específicas. Crédito: LAWINFRA/IA.

CloudHQ leva capacidade para dois projetos e Digital DC Brasil para um; sete empreendimentos disputaram uma margem de rede equivalente a cerca da metade dos 451 MW habilitados.

Três projetos de data centers venceram a primeira disputa da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) por capacidade remanescente da Rede Básica. O processo, realizado em 6 de outubro e divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta quarta-feira, 7, distribuiu os 228 megawatts (MW) ofertados em quatro pontos de conexão no Estado de São Paulo.

CloudHQ leva duas posições; NextStream fica com a terceira

A CloudHQ ficou com capacidade para a Pahlavan Ventures One e a Pahlavan Ventures Three, associadas ao campus da empresa em Paulínia. A terceira vencedora foi a Digital DC Brasil, que opera no país sob a marca NextStream. Sete empreendimentos participaram com demanda habilitada de 451 MW, quase o dobro da margem disponível.

Demanda foi quase o dobro da capacidade

A diferença entre a demanda habilitada e a capacidade ofertada obrigou a aplicação do mecanismo competitivo previsto para situações de escassez. Os 228 MW representam cerca de 51% dos 451 MW habilitados para a disputa. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), os lances médios ficaram na ordem de R$ 800 por quilowatt.

Resultado é novo estágio da PNAST

O resultado encerra a primeira Temporada de Acesso da PNAST, mas não deve ser confundido com o balanço consolidado divulgado pelo ONS em 18 de setembro. Aquele documento informou a análise de mais de 43 gigawatts (GW) de pedidos e a viabilização ou habilitação de cerca de 30,7 GW. A sessão de agora decidiu apenas a alocação de capacidade nos pontos em que a procura superou a margem disponível.

Diretrizes anteriores não antecipavam os vencedores

Também é um desenvolvimento posterior às diretrizes e ao manual publicados em 29 de setembro. Esses documentos estabeleceram a mecânica da disputa, as garantias e as responsabilidades dos participantes. O fato novo de 7 de outubro é o resultado: quem obteve a capacidade, quanto foi alocado e qual era a procura habilitada.

Acesso não equivale a operação

A vitória não significa que os data centers estejam energizados ou autorizados a operar. Os projetos ainda precisam cumprir as condições da temporada, celebrar os instrumentos de acesso aplicáveis, concluir obras e instalações, obter licenças e atender às exigências regulatórias e operacionais. Alterações relevantes de cronograma, potência ou ponto de conexão podem exigir nova análise.

Processos regulatórios continuam separados

A participação de dois veículos da CloudHQ conecta o resultado a processos já acompanhados pelo LAWINFRA. Em setembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) adotou medida cautelar relacionada a pedidos de acesso de projetos Pahlavan, em contexto distinto. A decisão competitiva do ONS resolve a alocação de margem nesta temporada, mas não substitui outras autorizações ou o exame das condições específicas de cada empreendimento.

Disputa revela preço para a escassez de rede

Para investidores em infraestrutura digital, a sessão fornece um primeiro preço observado para a escassez de acesso à Rede Básica, ainda que os lances individuais não tenham sido apresentados nas fontes abertas consultadas. Para transmissores e planejadores, a procura quase duas vezes superior à oferta reforça a necessidade de coordenar expansão de rede, localização de grandes cargas e cronogramas de conexão.

Próxima temporada já tem calendário

O calendário da primeira Temporada de Acesso de 2027 já foi publicado. O ONS prevê duas temporadas por ano a partir de 2027, e o novo ciclo poderá levar a outro processo competitivo em maio caso existam pontos com demanda acima da capacidade remanescente. A experiência desta primeira sessão deverá orientar eventuais ajustes operacionais.

Formalização e obras são os próximos sinais

Os próximos marcos verificáveis são a divulgação de documentos completos do resultado, a formalização dos acessos, o cumprimento das garantias e a evolução física dos projetos. Até lá, os 228 MW devem ser tratados como capacidade alocada em um processo competitivo — não como carga já conectada ao Sistema Interligado Nacional.