Axia negocia até R$ 680 milhões para estabilizar rede de transmissão no RN

Carta-mandato com o IDB Invest prevê recursos para três compensadores síncronos de 500 kV. A operação ainda depende de análise, documentos e aprovações.
A Axia Energia celebrou uma carta-mandato com o IDB Invest para estruturar um potencial financiamento de até R$ 680 milhões. Os recursos são destinados ao desenvolvimento e à implantação do Lote 7 da concessão de transmissão vencida pela companhia no Leilão de Transmissão nº 4/2025 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Três equipamentos para controle de tensão
O projeto reúne os sublotes 7A e 7B e prevê três compensadores síncronos de 500 quilovolts (kV) no Rio Grande do Norte: dois na Subestação Açu III e um na Subestação João Câmara III. Esses equipamentos ajudam a controlar a tensão e a dar estabilidade à rede, função especialmente relevante numa região com forte presença de geração eólica.
O comunicado foi arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 27 de outubro. Nele, a companhia informa que assinou o mandato na sexta-feira anterior com o IDB Invest, braço do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento voltado a operações com o setor privado.
Carta ainda não é financiamento contratado
A carta não equivale a um contrato de crédito. Segundo o documento, a assinatura abre as avaliações e negociações. A eventual participação do IDB Invest continua condicionada à conclusão satisfatória da análise, à negociação dos documentos e às aprovações internas aplicáveis. Portanto, o valor de R$ 680 milhões é um teto potencial, sem desembolso assegurado neste estágio.
João Câmara III já está em obras
A expansão em João Câmara III já havia entrado em obras. Em setembro, a Axia informou investimento de R$ 227,6 milhões no sublote 7B, com conclusão prevista para novembro de 2027 e Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 23,7 milhões. A subestação integra um corredor de cerca de 200 quilômetros que conecta Açu III, Ceará-Mirim II e João Câmara II.
Efeito depende de crédito e execução
Na prática, a estruturação financeira pode apoiar a entrega de equipamentos capazes de reforçar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional e ampliar a capacidade de integração segura da geração renovável no Nordeste. O ganho operacional, porém, depende da contratação efetiva do crédito, da execução das obras e do comissionamento dos compensadores.
Próximos passos
Os próximos marcos são a conclusão da análise do IDB Invest, a definição da documentação financeira, as aprovações das partes e a divulgação de eventual contrato. Também devem ser acompanhados o cronograma físico dos sublotes 7A e 7B e a entrada em operação das três unidades no Rio Grande do Norte.
