Seca alcança 61% do Brasil e se intensifica em 17 unidades da Federação

Área com seca subiu de 4,43 milhões para 5,19 milhões de km² entre julho e agosto; Nordeste teve 90% do território afetado e Sul ficou sem seca relativa.
A área do Brasil atingida por seca aumentou de 4,43 milhões para 5,19 milhões de quilômetros quadrados entre julho e agosto de 2026, segundo a atualização do Monitor de Secas divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O total corresponde a 61% do território nacional, ante 52% no mês anterior.
O avanço ocorreu junto com intensificação do fenômeno em 17 unidades da Federação. O movimento foi mais amplo no Nordeste, no Centro-Oeste e no Norte, enquanto houve abrandamento no Sudeste e o Sul ficou livre de seca relativa no período analisado.
Expansão de 760 mil km² em um mês
A expansão mensal foi de aproximadamente 760 mil quilômetros quadrados, uma área superior à soma de vários estados de médio porte. O indicador mostra uma mudança espacial relevante para planejamento de recursos hídricos, agricultura, energia e serviços que dependem de vazões e reservatórios.
Cinco unidades da Federação tiveram 100% de seus territórios sob seca: Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Piauí e Roraima. No Amazonas, a área afetada saltou de 60% para 94%, enquanto a parcela sob seca moderada aumentou de 8% para 50%.
No Nordeste, 90% do território estava sob seca em agosto. A região também concentrava 16% de sua área em condição severa, patamar que amplia a necessidade de acompanhamento de mananciais, sistemas de abastecimento, produção rural e navegação onde a redução de vazões interfere na operação.
Nordeste concentra a maior proporção
O Sudeste apresentou melhora de intensidade, apesar de o Espírito Santo permanecer integralmente sob alguma categoria de seca. No Sul, nenhum dos três estados registrou seca relativa em agosto, quadro que contrasta com a expansão observada nas demais regiões.
A leitura do Monitor de Secas não equivale a uma declaração automática de escassez de água ou de emergência. O sistema compara condições recentes com o comportamento histórico de cada localidade e combina indicadores de chuva, umidade do solo, vegetação e impactos observados.
Por isso, a presença de seca no mapa não significa necessariamente que um reservatório esteja em nível crítico, assim como a ausência do indicador não dispensa o acompanhamento operacional. Decisões sobre abastecimento, geração hidrelétrica, irrigação e navegação dependem de dados locais de armazenamento, vazão, demanda e previsão meteorológica.
Indicador orienta gestão de risco
Para projetos de infraestrutura, a atualização é um sinal de risco que deve ser incorporado ao planejamento. Empreendimentos com consumo intensivo de água, concessões de saneamento, hidrovias, usinas e instalações industriais precisam testar cenários de disponibilidade hídrica e mecanismos de contingência.
A ANA atualiza o Monitor de Secas mensalmente com apoio de instituições federais e estaduais. A próxima leitura permitirá verificar se a expansão registrada em agosto se mantém no período seco e se o abrandamento no Sul e no Sudeste se consolida.
