WEG cresce com transformadores e data centers, mas margens recuam no terceiro trimestre

Receita alcançou R$ 10,86 bilhões e lucro, R$ 1,67 bilhão. Redes elétricas, geradores de reserva e exportações sustentaram expansão, com pressão de cobre e tarifas.
A WEG registrou receita operacional líquida de R$ 10,86 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 5,7% em um ano. O lucro líquido chegou a R$ 1,665 bilhão, crescimento de 0,9%, enquanto o Ebitda avançou 3,1%, para R$ 2,345 bilhões. O resultado mostra expansão das vendas com menor avanço da rentabilidade.
Custos avançam mais rápido que a rentabilidade
A margem Ebitda caiu de 22,2% para 21,6% e a margem líquida recuou de 16,1% para 15,3%. A companhia atribuiu a pressão ao aumento de custos de matérias-primas, especialmente cobre, às tarifas de importação nos Estados Unidos e a despesas de pessoal associadas à expansão da capacidade produtiva.
Transformadores puxam infraestrutura elétrica
Geração, transmissão e distribuição de energia foi o principal vetor de infraestrutura. A receita da área somou R$ 4,19 bilhões, 13,8% acima do terceiro trimestre de 2025. No Brasil, as entregas incluíram transformadores para projetos ligados a leilões de transmissão e redes de distribuição.
A expansão da fábrica de Betim, em Minas Gerais, começou a operar no trimestre e aumentou a capacidade de produção de transformadores de grande porte. O ganho industrial ocorre em um mercado pressionado por reforços de rede, conexão de novas cargas e renovação de equipamentos, mas não representa garantia de ocupação integral da nova capacidade.
Data centers aparecem em geradores e refrigeração
No exterior, a receita de transmissão e distribuição cresceu com transformadores destinados ao reforço da rede elétrica norte-americana. A WEG também informou demanda por geradores da Marathon usados como fonte de energia de reserva para data centers nos Estados Unidos. Em equipamentos industriais, óleo e gás, mineração e sistemas de ventilação e refrigeração para centros de dados sustentaram vendas.
Exterior atinge participação recorde
O mercado externo alcançou 62,5% da receita total, a maior participação da história da companhia. As vendas fora do Brasil cresceram 8,3%, para R$ 6,79 bilhões, apesar da valorização do real. Em dólares, a alta foi de 14,8%. A América do Norte respondeu por 54,7% da receita externa medida na moeda norte-americana.
A operação brasileira avançou 1,8%, para R$ 4,07 bilhões. Projetos de ciclo longo compensaram a menor atividade em equipamentos industriais de entrega rápida e a demanda mais fraca por geração solar distribuída. A ausência de novos projetos de solar centralizada também limitou a receita desse negócio.
Capex supera R$ 900 milhões no trimestre
Os investimentos do trimestre somaram R$ 905,4 milhões, alta de 34,6%. Do total, 39,8% foram destinados ao Brasil e 60,2% ao exterior. A companhia aplicou recursos em transmissão e distribuição, equipamentos de grande porte e verticalização industrial no país, além de fábricas de transformadores no México, Colômbia e Estados Unidos e motores de alta tensão na China.
Execução da carteira definirá próximos resultados
Nos nove primeiros meses, a receita ficou praticamente estável em R$ 30,47 bilhões e o lucro caiu 2,2%, para R$ 4,68 bilhões. Os próximos sinais virão da conversão da carteira de projetos de rede, do ritmo de demanda dos data centers, da reação da indústria brasileira e da capacidade de compensar cobre, câmbio e tarifas sem nova compressão de margens.
