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Iberdrola eleva projeção de lucro com redes; Brasil responde por 17% do Ebitda

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Ilustração conceitual de linhas de transmissão e subestação em paisagem brasileira conectadas a uma rede global
Redes elétricas e estratégia internacional em ilustração editorial original produzida com inteligência artificial. A cena é conceitual e não retrata instalação específica da Iberdrola ou da Neoenergia. Crédito: LAWINFRA/IA.

Grupo espanhol investiu € 10,1 bilhões em nove meses e elevou a meta de crescimento do lucro ajustado para pelo menos 10%. Brasil mantém peso material por meio da Neoenergia.

A Iberdrola elevou para pelo menos 10% a expectativa de crescimento do lucro líquido ajustado em 2026, depois de registrar € 5,8 bilhões de lucro líquido nos nove primeiros meses do ano. O resultado informado cresceu 10%; em base ajustada, o lucro chegou a € 5,1 bilhões, alta de 9%.

A companhia espanhola também passou a projetar crescimento médio anual de 10% do lucro ajustado nos próximos cinco anos. A orientação é uma expectativa da administração, não resultado contratado. A Reuters observou que o lucro informado do período foi ajudado pelo ganho de capital com a venda dos ativos no México; a medida ajustada exclui esse efeito.

Investimento cresce e se concentra em três mercados

Os investimentos alcançaram € 10,1 bilhões entre janeiro e setembro, 13% acima do mesmo período de 2025. Quase três quartos ficaram concentrados em Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. O grupo destinou € 6,3 bilhões às redes elétricas, aumento de 28%, e € 3,6 bilhões aos negócios de geração e clientes.

Brasil representa 17% do Ebitda consolidado

O vínculo com o Brasil é direto. A apresentação atribui ao país 17% do Ebitda ajustado consolidado de € 11,9 bilhões. No negócio de redes, o Ebitda brasileiro informado pela Iberdrola foi de R$ 10,436 bilhões, alta de 4%, com efeito de tarifas, demanda, maior contribuição da transmissão e impacto temporário das renovações de concessões.

A Iberdrola informa que a base regulatória de ativos de redes no Brasil cresceu 18% em relação ao mesmo período de 2025. O grupo associa o ciclo brasileiro à renovação das concessões de distribuição e ao encerramento de um ciclo de investimentos em transmissão, cuja base regulatória foi indicada em € 4,3 bilhões.

Resultado da Iberdrola não substitui o balanço da Neoenergia

Esses números consolidados não devem ser confundidos com o balanço individual da Neoenergia. A subsidiária brasileira divulgou em 20 de outubro lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre, alta de 27%, Ebitda caixa 12% maior e crescimento de 6,9% da energia injetada. A própria apresentação da Iberdrola orienta a consulta ao informe separado da companhia brasileira.

Redes já respondem por mais da metade do Ebitda

A estratégia global está cada vez mais apoiada em receitas reguladas. O Ebitda ajustado de redes subiu 15% e passou a representar 54% do resultado operacional do grupo. A Iberdrola estima que sua base regulatória global de ativos ultrapassará € 90 bilhões até 2030, ante € 56 bilhões ao fim do período reportado.

Receita regulada não elimina risco de execução

A expansão traz menor exposição ao preço spot de energia, mas não elimina riscos. Retorno e geração de caixa dependem de autorizações tarifárias, execução de obras, custo de capital, câmbio e cumprimento das obrigações de qualidade das concessões. No Brasil, as renovações ampliam a visibilidade do horizonte de investimento, enquanto mantêm metas e fiscalização regulatória.

A comparação com a decisão britânica da Ofgem publicada dois dias antes reforça o mesmo ponto: redes atraem capital de longo prazo, mas custos e riscos precisam ser reconhecidos por reguladores. Para o mercado brasileiro, os próximos marcos são a execução do ciclo anunciado pela Neoenergia, os reajustes e revisões tarifárias e a entrega dos projetos de transmissão incorporados à plataforma do grupo.