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Virgínia endurece regras para data centers e exige mais transparência

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Campus conceitual de data centers conectado a subestações e linhas de transmissão em paisagem da Virgínia, nos Estados Unidos
A Virgínia concentra o maior polo de data centers do mundo e passou a exigir mais transparência e controle sobre novos projetos. Ilustração editorial produzida por inteligência artificial; não retrata instalação ou local real. Crédito: LAWINFRA/IA.

Maior polo mundial do setor proíbe acordos de confidencialidade no Executivo, acelera controles de ruído e propõe novas salvaguardas contra impactos tarifários e ambientais.

O estado norte-americano da Virgínia anunciou nesta sexta-feira, 18 de setembro, um novo conjunto de medidas para ampliar a transparência e o controle sobre a expansão dos data centers. A região reúne a maior concentração mundial dessas instalações e passou a enfrentar maior pressão pública sobre consumo de energia, tarifas, ruído, uso do território e efeitos ambientais.

A iniciativa combina providências administrativas de aplicação imediata com propostas que ainda precisarão passar pelo Legislativo estadual. Essa distinção é central: a apresentação do Data Center Accountability Framework não transforma automaticamente todos os seus elementos em obrigação vigente.

Por meio da Ordem Executiva nº 22, a governadora Abigail Spanberger determinou que integrantes do Poder Executivo estadual não celebrem acordos de confidencialidade relacionados a projetos de data centers. A ordem também exige a aceleração de regras sobre ruído e uma revisão das operações de geração de emergência usadas pelos empreendimentos.

Transparência deixa de ser assunto apenas contratual

A restrição aos acordos de confidencialidade procura responder à crítica de que comunidades e autoridades locais recebem informações insuficientes antes de decisões com efeitos duradouros sobre a rede elétrica e o território. Segundo a Reuters, o marco anunciado prevê alcançar projetos com demanda igual ou superior a 25 megawatts.

A medida não elimina segredos comerciais legítimos nem torna público todo documento empresarial. Seu alcance imediato está ligado à atuação do Executivo estadual. Regras mais amplas sobre aprovação de projetos, incentivos e obrigações aplicáveis a agentes privados dependem da forma final dos atos administrativos e das leis que vierem a ser aprovadas.

O governo também pretende ampliar a participação das comunidades nas decisões locais, revisar aprovações automáticas e reduzir subsídios sem contrapartidas suficientes. Parte do pacote será apresentada aos legisladores em 2027, o que mantém em aberto o texto definitivo, a abrangência e os mecanismos de fiscalização.

Energia, tarifas e licenciamento entram no centro da política

Na frente energética, a proposta oferece incentivos para que instalações de reserva utilizem soluções renováveis, como solar e eólica, em substituição a geradores movidos a diesel ou gás natural. A viabilidade técnica dependerá de armazenamento, confiabilidade, tempo de resposta e capacidade de operação durante interrupções prolongadas.

O marco também procura impedir que o crescimento das grandes cargas transfira custos desproporcionais aos demais consumidores. Esse objetivo exige regras claras sobre conexão, reforços da rede, geração adicional e contratos de fornecimento. O anúncio político estabelece a direção, mas ainda não detalha toda a metodologia de repartição de custos.

A mudança na Virgínia acompanha iniciativas recentes de outros estados norte-americanos diante da rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial. O movimento mostra uma transição: data centers deixam de ser tratados apenas como projetos imobiliários e passam a ser regulados como cargas com efeitos sistêmicos sobre energia, planejamento urbano e finanças públicas.

O que a experiência oferece ao debate brasileiro

Para o Brasil, a experiência é relevante no momento em que pedidos de conexão de data centers ao Operador Nacional do Sistema Elétrico já somam 20 gigawatts. A comparação não recomenda copiar o modelo da Virgínia, mas reforça quatro pontos: transparência antes da autorização, demonstração de maturidade do projeto, alocação explícita dos custos de rede e participação local compatível com a escala do empreendimento.

O desafio regulatório é evitar dois extremos. Regras frágeis podem socializar custos e ampliar conflitos; exigências imprevisíveis podem afastar investimento e atrasar infraestrutura estratégica. O teste do novo marco será transformar transparência e responsabilidade em critérios objetivos, sem converter o licenciamento em uma sequência indefinida de decisões.

Os próximos marcos verificáveis serão a publicação integral das orientações administrativas, a edição das regras de ruído e geração de emergência e o envio das propostas legislativas. Só então será possível medir quanto do anúncio produzirá mudança efetiva sobre projetos novos e sobre a expansão de instalações existentes.