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Data centers já pedem ao ONS energia equivalente a 25% da carga média do país

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Marcio Rea, diretor-geral do ONS, fala no púlpito do LAWINFRA Summit Brasília 2026
Marcio Rea, diretor-geral do ONS, durante os Grandes Painéis do LAWINFRA Summit Brasília 2026. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

Marcio Rea aponta impacto da nova demanda sobre o sistema elétrico; advogado Sérgio Leverdi defende segurança jurídica para manter investimentos no Brasil.

Os pedidos de acesso de novos data centers recebidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) entre janeiro de 2025 e agosto de 2026 já somam 20 GW, volume equivalente a aproximadamente 25% da carga média diária do Brasil, hoje entre 80 GW e 90 GW.

O dado foi apresentado nesta sexta-feira (18/9) pelo diretor-geral do ONS, Marcio Rea, na abertura dos Grandes Painéis do LAWINFRA Summit Brasília 2026, no B Hotel. A programação foi aberta pelo advogado, CEO e idealizador do LAWINFRA, Sérgio Leverdi.

Rea afirmou que o crescimento de grandes cargas ocorre em um sistema que já enfrenta o desafio de administrar a expansão das fontes renováveis. O ONS coordena mais de 180 mil quilômetros de linhas e precisa equilibrar, a cada instante, geração e consumo.

Geração solar distribuída acrescenta complexidade à operação

Como parte dessa produção não é diretamente visualizada pelo ONS, variações bruscas podem exigir resposta de hidrelétricas e térmicas. Em momentos de excesso de energia, o operador também precisa restringir temporariamente a produção de usinas.

Marcio Rea fala ao público diante do painel do LAWINFRA Summit Brasília 2026
Marcio Rea explicou os desafios de operação do sistema elétrico diante do crescimento das fontes renováveis e das grandes cargas. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

Entre as soluções, Rea destacou o leilão de baterias previsto para o fim deste ano, que permitirá armazenar excedentes solares durante o dia e utilizá-los no período de maior demanda, entre 16h e 22h.

Desafios e segurança jurídica

Ao abrir os painéis, Sérgio Leverdi relacionou os desafios técnicos à necessidade de segurança jurídica para investimentos de longo prazo. Segundo ele, a hiperjudicialização de grandes projetos exige maior interlocução entre setor produtivo, investidores e Poder Judiciário.

Sérgio Leverdi e Marcio Rea juntos no palco do LAWINFRA Summit Brasília 2026
Sérgio Leverdi e Marcio Rea durante os Grandes Painéis do LAWINFRA Summit Brasília 2026. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

“Para continuar grandes empreendimentos, precisamos criar um ambiente confiável, seguro para que esse dinheiro aporte antes de sair do Brasil, como tem acontecido.”

Marcio Rea também defendeu maior compreensão da magistratura sobre as particularidades da operação elétrica.

“Quando o Judiciário considera essa realidade, os riscos, as restrições e a dinâmica temporal da operação, as decisões ganham em segurança, previsibilidade e efetividade.”

Para Leverdi, ampliar essa comunicação é uma das funções centrais do LAWINFRA: aproximar quem investe, regula, opera e julga os conflitos que afetam a infraestrutura brasileira.