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EUA discutem proteção à conta de luz diante da expansão dos data centers

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Ilustração editorial de data center, subestação e bairro residencial conectados à rede elétrica
Imagem ilustrativa produzida com inteligência artificial. A composição não representa instalação ou local reais. Crédito: LAWINFRA/IA.

Projeto exige que reguladores estaduais avaliem regras para atribuir aos grandes data centers os custos adicionais da rede, preservando sua decisão sobre a adoção do padrão.

A expansão dos data centers colocou a distribuição dos custos da rede elétrica na pauta do Congresso dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, 16 de setembro, a Comissão de Energia e Comércio da Câmara divulgou manifestações de apoio ao Ratepayer Protection Act, projeto destinado a proteger os demais consumidores dos custos associados à entrada de grandes centros de processamento de dados.

A Reuters informou nesta manhã que a votação poderia ocorrer já nesta quarta-feira. A notícia trata de uma proposta em tramitação: a documentação consultada para esta edição não confirma a conclusão da votação nem a entrada em vigor de uma nova lei.

Quem pagaria pelos reforços da rede

O H.R. 9340 alcança consumidores não residenciais que operam data centers com demanda elétrica de pico de pelo menos 100 megawatts em uma única instalação. Segundo a análise do Congressional Budget Office (CBO), o projeto ampliaria os critérios que devem ser considerados na definição das tarifas, incluindo a recuperação dos custos de adaptação do sistema necessários para atender esses consumidores.

Entre os instrumentos descritos pelo gabinete do deputado Gabe Evans, um dos autores, estão garantias financeiras e estruturas tarifárias específicas ou outros acordos. O objetivo é evitar que famílias e pequenos negócios assumam investimentos realizados para um grande cliente que depois reduza suas operações ou deixe a rede. O gabinete informou que o projeto passou pela comissão em julho por 52 votos a zero.

Avaliar o padrão não significa adotá-lo automaticamente

O desenho regulatório preserva uma distinção essencial: o dever proposto é considerar o padrão federal. O CBO esclarece que as comissões estaduais podem adotá-lo ou rejeitá-lo. Portanto, o texto não equivale a uma cobrança nacional automática e uniforme sobre todos os data centers.

Na manifestação publicada nesta quarta-feira, a associação que representa os órgãos estaduais e territoriais de energia apoiou justamente essa margem de decisão. Entidades de governos locais também defenderam transparência sobre os custos da expansão. São posições favoráveis à proposta, e não demonstração de que seus efeitos tarifários já tenham ocorrido.

O que o Brasil pode observar

Para o Brasil, o debate oferece uma referência sobre alocação de custos: identificar quais investimentos atendem ao sistema em geral e quais decorrem da conexão de um empreendimento específico. Essa distinção permite discutir a expansão digital junto com a proteção dos consumidores e a sustentabilidade econômica da infraestrutura.

Na avaliação editorial do LAWINFRA, previsões de demanda, garantias de contratação e consequências de uma saída antecipada devem integrar o planejamento de grandes cargas desde o início. A experiência americana merece acompanhamento por esse desenho de incentivos; qualquer aplicação brasileira depende das regras, competências e contratos nacionais.