Fehidro soma R$ 1,19 bilhão em 1.297 projetos de água e drenagem

Carteira contratada desde 2023 alcança 338 municípios paulistas; comitês de bacia indicaram outros R$ 414,7 milhões em 421 projetos para 2026, mas anúncio não informa execução física ou desembolso por obra.
O Fundo Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo (Fehidro) contratou cerca de R$ 1,19 bilhão em projetos desde 2023. O balanço divulgado pelo governo paulista nesta sexta-feira, 23, reúne 1.297 empreendimentos em 338 municípios, com foco em esgotamento sanitário, drenagem, planejamento, gestão da água e controle de perdas.
Contrato não é desembolso
O valor cobre uma carteira acumulada de quase quatro anos e não deve ser lido como desembolso realizado apenas em 2026. A divulgação também não apresenta execução física, pagamentos ou cronograma individual dos 1.297 projetos. A diferença entre contrato, obra iniciada e entrega concluída precisa ser acompanhada na base de cada empreendimento.
Comitês indicam R$ 414,7 milhões em 2026
Para 2026, os comitês de bacia indicaram aproximadamente R$ 414,7 milhões para 421 projetos. Ações ligadas à qualidade da água representam 36% dos pedidos; drenagem e prevenção de eventos hidrológicos extremos respondem por 22%. Indicação é uma etapa de priorização e não equivale, por si só, a contratação ou liberação integral dos recursos.
Seleção passa pelos planos de bacia
Os Comitês de Bacia Hidrográfica reúnem Estado, municípios e sociedade civil. Cabe a eles selecionar propostas compatíveis com os planos de bacia. Podem apresentar projetos órgãos públicos, municípios, concessionárias e permissionárias de saneamento, consórcios intermunicipais e entidades privadas sem fins lucrativos habilitadas.
Obras precisam funcionar como sistema
A carteira ganha relevância diante da Operação El Niño 2026/2027, que ampliou o monitoramento paulista para temporais, ondas de calor, estiagens e incêndios. Drenagem e controle de cheias exigem integração com tratamento de esgoto, resíduos, ocupação do solo e manutenção; obras isoladas podem deslocar o risco para outras áreas da bacia.
Carteiras não devem ser somadas automaticamente
O governo estadual informou ainda um conjunto mais amplo de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029 para segurança hídrica, prevenção de enchentes e infraestrutura. Essa cifra pertence à estratégia estadual e não deve ser somada automaticamente aos R$ 1,19 bilhão do Fehidro, porque os perímetros podem se sobrepor.
Os próximos marcos são a contratação dos projetos indicados em 2026, a divulgação das listas por bacia e município e a medição de execução. Para avaliar resultado, será necessário relacionar gasto a redução de perdas, ampliação do tratamento, diminuição de alagamentos e manutenção dos sistemas após a entrega.
