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REDATA abre caminho, mas rede e credibilidade decidirão investimentos em data centers, diz Sérgio Leverdi

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Sérgio Leverdi participa ao vivo do jornal Radar, da Times Brasil | CNBC, em entrevista sobre REDATA, energia e infraestrutura digital
Sérgio Leverdi, CEO do LAWINFRA, durante entrevista ao vivo no jornal Radar. Imagem: Times Brasil | CNBC, 17 de setembro de 2026.

Em entrevista ao vivo, o CEO do LAWINFRA avaliou que o novo regime tributário reduz custos, mas a conexão elétrica, a regulamentação e a segurança institucional seguem determinantes para transformar projetos em investimento.

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A sanção do REDATA abre uma nova etapa para a infraestrutura digital brasileira, mas não resolve sozinha as condições que tornam um projeto de data center financiável. Em entrevista ao vivo ao jornal Radar, da Times Brasil | CNBC, nesta quarta-feira, 17 de setembro, Sérgio Leverdi, CEO do LAWINFRA, afirmou que o incentivo tributário precisa vir acompanhado de capacidade de conexão à rede e de regras suficientemente claras para sustentar decisões de longo prazo.

O regime suspende, por cinco anos, tributos incidentes sobre equipamentos de tecnologia da informação destinados à instalação, ampliação ou modernização de data centers. Para Leverdi, porém, o efeito econômico não deve ser medido apenas pela desoneração. O percurso legislativo também importa: períodos de indefinição podem adiar cronogramas e manter capital à espera de uma regra aplicável.

A mensagem central da entrevista foi direta: o capital acompanha a credibilidade. No caso dos data centers, a credibilidade combina regime jurídico compreensível, execução administrativa previsível e infraestrutura capaz de atender a carga contratada no prazo anunciado.

Contrapartidas exigem regulamentação clara

A adesão ao REDATA envolve contrapartidas. Entre elas estão a destinação de parte da capacidade de processamento ao mercado brasileiro, o investimento em pesquisa e desenvolvimento e o atendimento a critérios de sustentabilidade. Leverdi observou que a aferição de 10% da capacidade destinada ao mercado nacional pode ser complexa em sistemas que operam com redundância e distribuição internacional de processamento.

A energia concentra a principal questão interpretativa. A redação aprovada no Senado abriu debate sobre o uso de gás natural na composição energética dos empreendimentos. O entrevistado não tratou a fonte como um problema em si, mas alertou que ambiguidades na lei e na regulamentação podem ampliar controvérsias e postergar decisões de implantação.

Esse ponto é relevante porque um benefício fiscal perde parte de sua função quando o empreendedor ainda não consegue estimar com segurança as condições de energia, licenciamento e conexão. A regulamentação deverá traduzir as contrapartidas em critérios operacionais verificáveis, sem criar uma nova camada de incerteza para projetos de elevado investimento inicial.

O gargalo está no prazo de conexão

Segundo Leverdi, o Brasil dispõe de energia para acompanhar a expansão dos data centers. O desafio está em fazer a energia chegar ao local do projeto no tempo necessário. Solicitações de acesso à rede crescem, enquanto a construção física dos empreendimentos digitais pode avançar mais rapidamente que reforços de transmissão, subestações e demais etapas de conexão.

Na entrevista, ele mencionou a aprovação, pela ANEEL, de projeto de data center com 297 megawatts no interior de São Paulo como exemplo da dimensão que essas cargas passaram a assumir. A referência não equivale a assegurar conexão imediata para todos os projetos: cada pedido depende do ponto de acesso, dos estudos técnicos e dos reforços necessários no sistema.

A consequência prática é que a discussão sobre data centers deixou de ser apenas tributária ou tecnológica. Ela passou a envolver planejamento elétrico, cronograma de rede, contratos de conexão, alocação de custos, sustentabilidade e coordenação entre investidores, reguladores e agentes do setor energético.

Capital procura capacidade de execução

Ao comentar o panorama global, Leverdi ressaltou que o problema não é simplesmente a falta de recursos para energia e infraestrutura. Sua avaliação é que burocracia e perda de previsibilidade podem impedir que capital disponível se converta em obras e capacidade instalada. Para o Brasil, isso significa que a vantagem de energia competitiva precisa ser acompanhada de entrega institucional e material.

O REDATA pode reforçar a posição brasileira na disputa por infraestrutura digital. O resultado dependerá de a política tributária, a expansão da rede e a regulamentação caminharem no mesmo ritmo. Para investidores, o próximo teste será verificar se os projetos conseguem sair do anúncio e alcançar a operação com energia, prazo e segurança jurídica compatíveis com a escala do investimento.