O futuro dos data centers no Brasil depende de energia e segurança jurídica

No quadro LAWINFRA, o CEO da plataforma destacou que energia renovável, território, conectividade e capacidade de atração de investimentos colocam o Brasil em posição privilegiada na expansão mundial da infraestrutura digital.
O Brasil reúne condições para ocupar posição de destaque na expansão mundial dos data centers e se tornar um polo relevante da infraestrutura digital. No quadro LAWINFRA exibido pela Times Brasil | CNBC nesta quinta-feira, 27 de agosto, Sérgio Leverdi comparou o país com outros mercados e destacou a combinação brasileira de vantagens para atrair novos empreendimentos.
A disponibilidade de fontes renováveis, a dimensão territorial, a conectividade, o ambiente de investimentos e a possibilidade de ampliar a infraestrutura energética formam uma base competitiva especialmente valiosa em um setor que cresce rapidamente no mundo. Para Leverdi, esse conjunto diferencia o Brasil e abre uma oportunidade estratégica de longo prazo.
Data centers exigem fornecimento contínuo, elevada confiabilidade e capacidade disponível em pontos específicos da rede. A decisão de instalar um novo empreendimento, portanto, não depende apenas de terreno, conectividade e incentivos econômicos. Também exige energia firme, acesso à transmissão, equipamentos, licenciamento e prazos de conexão compatíveis com o cronograma do investimento.
O risco aparece quando os projetos digitais avançam mais rapidamente que a geração, a transmissão e os reforços da rede. É nesse intervalo que podem surgir filas de conexão, elevação de custos, atrasos e incertezas capazes de comprometer a viabilidade dos empreendimentos.
Durante o quadro, Leverdi resumiu o problema de forma direta: “É nesse descompasso que mora o risco”. A advertência desloca o debate da simples disponibilidade agregada de energia para uma questão mais concreta: onde a energia estará disponível, em que prazo, com qual grau de confiabilidade e sob quais regras de acesso.
A resposta exige planejamento coordenado. Empresas de tecnologia, investidores, agentes do setor elétrico, órgãos ambientais, reguladores e formuladores de políticas públicas precisam trabalhar com informações compatíveis sobre localização, potência, cronograma e impactos sistêmicos. Sem essa coordenação, decisões tomadas isoladamente podem produzir capacidade ociosa de um lado e gargalos de outro.
O tema também é jurídico e regulatório. Contratos de conexão, responsabilidades por reforços, critérios de prioridade, garantias, licenciamento e repartição dos riscos de atraso precisam ser compreendidos antes da decisão de investimento. A previsibilidade dessas regras reduz a possibilidade de que a disputa pela energia disponível se transforme em controvérsias prolongadas.
A análise apresentada no quadro LAWINFRA combina oportunidade e responsabilidade. O Brasil já reúne atributos para disputar investimentos globais em data centers; o passo seguinte é transformar essa vantagem em projetos executáveis. Energia competitiva, rede disponível, coordenação institucional e segurança jurídica precisam avançar no mesmo ritmo da infraestrutura digital.
O Brasil reúne condições para ocupar posição de destaque na expansão mundial dos data centers.SÍNTESE DA ANÁLISE DE SÉRGIO LEVERDI · CEO DO LAWINFRA
