Portugal prepara regras de água e energia para expansão de data centers

Governo anuncia decreto com energia renovável, resfriamento sem água potável e análise ambiental rigorosa; país tem mais de 2,6 GW de capacidade planejada.
Portugal prepara um decreto para condicionar a expansão de data centers ao uso de energia renovável, a soluções de resfriamento que não consumam água potável e a uma avaliação ambiental rigorosa. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse à Reuters que o texto estava sendo finalizado; por isso, as condições anunciadas ainda não devem ser tratadas como norma já publicada.
Mais de 2,6 GW estão planejados
O país tem mais de 2,6 gigawatts de capacidade planejada, impulsionada pela conexão de cabos submarinos, disponibilidade de energia renovável e posição entre Europa, África e Américas. O maior projeto citado é o campus de 1,2 GW da Start Campus em Sines, cuja primeira edificação já opera com energia renovável e resfriamento por água do mar, segundo a empresa.
Água potável não deve competir com resfriamento
A regra em preparação deve exigir resfriamento sem água ou com fontes alternativas que não concorram com o abastecimento de pessoas e atividades econômicas. A distinção é material: consumo hídrico anunciado, água captada, água potável e água efetivamente consumida são métricas diferentes e precisam aparecer de forma verificável no licenciamento.
Plano nacional antecede o novo decreto
Portugal aprovou em 2026 um Plano Nacional de Data Centers. A Resolução do Conselho de Ministros nº 70/2026 orienta o desenvolvimento da infraestrutura digital, mas o novo decreto deverá converter parte da política em critérios ambientais e energéticos de implantação.
Redata brasileiro tem parâmetro hídrico
A experiência oferece comparação direta ao Brasil. O Redata nacional prevê energia renovável ou de baixa emissão e eficiência hídrica, com referência de consumo de água de até 0,05 litro por quilowatt-hora. A efetividade, porém, depende de regulamentação, medição, fiscalização e compatibilidade com conexão elétrica e licenciamento local.
Compare com as exigências do Redata brasileiro →
Exigência pode filtrar projetos
Requisitos mais estritos podem reduzir projetos sem solução de energia e água, mas também aumentam previsibilidade para os que comprovarem atendimento. O efeito sobre investimento só poderá ser avaliado após a publicação do decreto português e a definição de prazos, exceções, transição e método de comprovação.
Veja outro projeto europeu de data centers ligado a energia →
Texto final definirá alcance
Os próximos marcos são a publicação do texto final, os critérios de avaliação ambiental e a forma de contabilizar energia e água. Para o Brasil, interessa comparar como Portugal tratará grandes cargas, resfriamento costeiro, transparência de métricas e responsabilidade pelo reforço de rede.
