Petrobras mobiliza oito navios para proteger abastecimento no Norte durante a vazante

Operação Codajás posiciona dois navios-gaseiros dedicados, cinco adicionais e três petroleiros. Plano é preventivo e responde à queda dos rios e às restrições de navegação.
Petrobras, Transpetro e Marinha estruturaram uma operação preventiva para manter o abastecimento de combustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP) na Região Norte durante a vazante dos rios amazônicos. Batizado de Operação Codajás, o plano começou a ser mobilizado na segunda metade de setembro, diante da tendência de queda dos níveis dos rios e das restrições de navegação que acompanham o período.
Oito embarcações integram a mobilização
A frota informada inclui dois navios-gaseiros dedicados à operação, cinco gaseiros adicionais e três petroleiros. A estratégia combina antecipação logística, posicionamento de embarcações e estoques flutuantes. O navio-tanque Epic Baluan foi mantido em Coari, no Amazonas, como extensão temporária da capacidade de armazenagem, segundo o comunicado oficial.
Plano é preventivo, não resposta a desabastecimento
O anúncio não registra desabastecimento consumado. A mudança material é a ativação de medidas destinadas a reduzir esse risco antes que a profundidade dos rios limite ainda mais o calado e a circulação das embarcações. O efeito dependerá da evolução hidrológica, das condições de navegação e da execução do plano ao longo da estação seca.
Urucu sustenta mais da metade da geração no Amazonas
A continuidade do suprimento tem impacto além do uso doméstico e do transporte. O gás produzido em Urucu responde por mais de 50% da geração de eletricidade do Amazonas, de acordo com a Petrobras. Restrições prolongadas na logística, portanto, podem repercutir sobre combustíveis, GLP e segurança energética dos sistemas locais.
Secas anteriores orientam o dimensionamento
A companhia usa o histórico recente para dimensionar a operação. Na seca de 2024, considerada a mais severa da série disponível, foram realizadas 21 operações com movimentação superior a 16 mil toneladas de GLP. Entre setembro e outubro de 2025, a logística movimentou mais de 60 mil toneladas de GLP e 129 mil metros cúbicos de derivados de petróleo.
Volumes históricos não são meta para 2026
Esses valores são referências históricas e não projeções para 2026. O comunicado não informa o volume já estocado neste ano, o custo da operação, o prazo de manutenção das embarcações ou níveis mínimos de estoque. Também não permite concluir que todo risco de interrupção foi eliminado.
Níveis dos rios definirão os próximos passos
Para consumidores, distribuidoras e operadores de energia, os próximos marcos são os níveis dos rios, eventuais restrições adicionais de calado, a necessidade de remanejamento da frota e os volumes efetivamente entregues. A evolução da geração termelétrica no Amazonas também deverá ser acompanhada em conjunto com a logística de gás e combustíveis líquidos.
