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Painel do LAWINFRA contesta tese de gargalo na transmissão e alerta para risco de sobra de rede

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Wagner Ferreira, Carlos Mattar, Ludmilla Cabral e Edvaldo Santana no painel sobre transmissão do LAWINFRA Summit Brasília 2026
Wagner Ferreira, Carlos Mattar, Ludmilla Cabral e Edvaldo Santana durante o painel sobre transmissão do LAWINFRA Summit Brasília 2026. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

Debate aponta que avanço dos data centers exige planejamento para evitar investimentos que podem se tornar ociosos com a evolução tecnológica.

A expansão acelerada dos data centers não deve levar o Brasil a contratar infraestrutura de transmissão com base apenas na demanda projetada hoje, sob risco de criar capacidade ociosa e uma futura disputa sobre quem pagará essa conta.

O alerta marcou o painel “Gargalos da rede, prazos e conexões ao sistema”, sobre transmissão, realizado nesta sexta-feira (18/9), durante o LAWINFRA Summit Brasília 2026, no B Hotel.

O economista e ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Edvaldo Santana contestou a existência de um gargalo generalizado na transmissão. Segundo ele, o sistema enfrenta uma concentração atípica de grandes pedidos de acesso que não estavam previstos no planejamento.

“Nenhum sistema no mundo, nem a China, conseguiria atender hoje de 3 a 5 GW de uma só vez. O gargalo não existe; o que houve foi essa aceleração concentrada”, defendeu.

Santana acrescentou que novas tecnologias podem reduzir fortemente o consumo energético da inteligência artificial nos próximos anos. O risco é construir linhas com contratos de concessão de 30 anos para atender cargas que poderão diminuir muito antes disso.

“Essa é a primeira causa na Justiça que vocês terão daqui a 10 anos: sobra de transmissão e a discussão sobre quem paga essa conta”, afirmou.

A executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate) Ludmilla Cabral reforçou que a transmissão deve ser vista como infraestrutura habilitadora da transição energética. Segundo ela, o Sistema Interligado Nacional (SIN) registra disponibilidade de 99,04%.

Também participou do painel Carlos Mattar, superintendente de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica da Aneel. O debate foi moderado por Wagner Ferreira, sócio e head de Energia do Caputo, Bastos e Serra Advogados.