No Peru, 47% das conexões celulares por satélite estudadas ocorreram fora da cobertura terrestre declarada

Levantamento da Ookla divulgado em 27 de outubro examina uso no Peru e no Chile; experiência oferece referência para a expansão brasileira, sem permitir transportar os percentuais ao país.
Quase metade — 47% — das conexões diárias únicas de celulares estacionários a satélites observadas pela Ookla no Peru ocorreu fora da cobertura terrestre combinada declarada pelas quatro operadoras do país. O levantamento foi divulgado em 27 de outubro e analisa também o Chile, com dados de aparelhos Android coletados de janeiro a setembro de 2026.
A amostra distingue localização e finalidade do uso
A tecnologia é conhecida como direct-to-device (D2D), ou conexão direta ao aparelho. A pesquisa identifica utilização em localidades rurais, mineração e outras atividades. Na classificação dos locais, conta cada aparelho no máximo uma vez por dia e combina informações de posicionamento, imagens, inteligência artificial e revisão amostral por analistas.
O levantamento também registra conexões dentro da cobertura declarada. A Ookla apresenta explicações possíveis, como variações do sinal e mapas desatualizados; o resultado não comprova, isoladamente, falha de uma operadora. A localização identifica onde o telefone estava, mas não determina a finalidade do uso, e a classificação dos locais tem limites reconhecidos pelos pesquisadores.
Referência para o Brasil, não medição brasileira
Para o Brasil, que amplia iniciativas de conexão direta a satélites, a utilidade comparativa está na avaliação de onde a solução pode complementar as redes terrestres. O acervo do LAWINFRA acompanha, por exemplo, a parceria de Brisanet e Unifique com a AST SpaceMobile. As observações peruanas e chilenas não medem a cobertura brasileira nem comprovam o desempenho desses projetos.
Mineração, energia, transporte e serviços públicos fora dos grandes centros têm necessidades distintas de comunicação. Uma cobertura adicional pode ser relevante para mensagens e aplicações específicas sem substituir todas as funções de uma rede de maior capacidade. O planejamento de infraestrutura deve, portanto, partir das aplicações e condições do local, não apenas da extensão territorial anunciada para um serviço.
Desempenho precisa ser verificado em campo
Os próximos pontos de avaliação no mercado brasileiro incluem compatibilidade dos aparelhos, serviços efetivamente disponíveis, preços, condições regulatórias e desempenho em campo. A experiência internacional ajuda a formular essas perguntas. Não elimina a necessidade de medir a solução localmente, nem autoriza converter a proporção encontrada no Peru em estimativa automática de demanda ou investimento no Brasil.
