5G chega a 69,8 milhões de acessos e fibra mantém liderança, aponta Anatel

Relatório trimestral registra 46,92 milhões de conexões fixas por fibra e 1,10 milhão por satélite, mas ressalva que os dados preliminares podem ser revistos.
A base brasileira de telefonia móvel chegou a 280,5 milhões de acessos nos dados preliminares do terceiro trimestre de 2026, crescimento de 1,3% sobre o trimestre anterior. O 5G respondeu por 69,8 milhões de conexões, equivalentes a 24,9% do total, segundo o Relatório de Monitoramento da Competição divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nesta terça-feira, 20 de outubro.
O avanço do 5G concentrou as novas adições. A tecnologia ganhou aproximadamente 2,6 milhões de acessos no trimestre e 16,4 milhões em doze meses, alta anual de 30,7%. No mesmo intervalo anual, 984 municípios passaram a registrar acessos de quinta geração. O 4G continua predominante, mas perdeu cerca de 4,6 milhões de conexões em um ano.
Fibra e satélite ampliam a infraestrutura fixa
Na banda larga fixa, a base alcançou 57,9 milhões de acessos. A fibra óptica ampliou a liderança, de 43,23 milhões no terceiro trimestre de 2025 para 46,92 milhões no período atual. Conexões por satélite, impulsionadas por constelações de baixa órbita, avançaram de 670 mil para 1,10 milhão; cabo coaxial, rádio e cabo metálico recuaram.
Os pequenos provedores continuam determinantes na estrutura do mercado fixo. O grupo agregado como outros provedores respondeu por 55,5% da base, mas a Anatel adverte que a participação pode estar afetada por subnotificação temporária. Como há cerca de 20 mil empresas outorgadas, parte delas pode atualizar os registros depois do fechamento do relatório.
Concentração nacional não encerra a análise regional
Na telefonia móvel, prestadoras de pequeno porte, operadoras regionais e operadoras virtuais elevaram juntas sua participação de 5,4% para 7,2% em um ano. A agência considera atingidas as metas estratégicas nacionais de desconcentração, sem concluir que a competição seja uniforme em todos os territórios.
O próprio relatório desloca parte do foco regulatório para a fronteira entre redes e ecossistemas digitais. Inteligência artificial liderou os temas identificados na escuta de mercado pelo terceiro trimestre consecutivo; redes de distribuição de conteúdo e data centers apareceram em seguida. O dado sinaliza que infraestrutura física, capacidade computacional e plataformas passam a influenciar conjuntamente a competição.
Dados preliminares exigem cautela
Os números não constituem um fechamento estatístico definitivo do trimestre. A Anatel informa que utilizou os últimos dados disponíveis durante a elaboração, relativos a agosto, e poderá atualizar séries e análises em edições seguintes. A leitura adequada é de tendência e estrutura de mercado, não de quantidade final imutável.
Para investidores e operadores, os próximos sinais serão a continuidade da expansão da fibra e do 5G, o ritmo das conexões por satélite, as correções por subnotificação e a tradução das assimetrias regionais em medidas do Plano Geral de Metas de Competição. A escala nacional, isoladamente, não elimina gargalos locais de oferta, qualidade ou capacidade de transporte de dados.
