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Afluências chegam a 361% da média no Paranapanema, mostra ONS

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Ilustração editorial aérea de reservatórios, hidrelétrica e rede de transmissão na Região Hidrográfica do Paraná
Reservatórios, rios, hidrelétrica e transmissão representam a operação integrada da Região Hidrográfica do Paraná. Imagem produzida com inteligência artificial; não retrata usina ou local específico. Crédito: LAWINFRA/IA.

Tietê registra 287% da média, Paraná 148% e Grande 137%; Paranaíba permanece em 88%, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste armazena 57%.

A energia natural afluente (ENA) chegou a 361% da média histórica no subsistema do rio Paranapanema em setembro, segundo dados observados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) até o dia 23. No Tietê, o indicador atingiu 287%; no Paraná, 148%; e no Grande, 137%. O Paranaíba ficou abaixo da média, em 88%.

Afluência não é geração efetiva

A ENA mede o potencial de geração associado às vazões naturais que chegam às usinas hidrelétricas. O indicador não corresponde à energia efetivamente produzida: o despacho, as restrições hidráulicas, os níveis dos reservatórios, a disponibilidade das unidades e a operação integrada do Sistema Interligado Nacional determinam quanto desse potencial se converte em geração.

Os números constam de apresentação do ONS à 9ª Reunião da Sala de Acompanhamento da Região Hidrográfica do Paraná, realizada em 24 de setembro e publicada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Os gráficos mostram forte elevação das afluências em setembro, mas também revelam diferenças entre os principais rios da região.

Bacia reúne mais da metade do armazenamento do SIN

A Região Hidrográfica do Paraná concentra 53,4% da capacidade de armazenamento do Sistema Interligado Nacional e 76% da capacidade do subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Por isso, mudanças nas vazões e nos reservatórios da bacia influenciam a segurança operativa, os intercâmbios de energia e o uso múltiplo da água.

Em 23 de setembro, o armazenamento agregado estava em 57% no Sudeste/Centro-Oeste, ante 71% no Nordeste, 76% no Norte e 83% no Sul. A combinação de afluências elevadas em partes da bacia com estoque de 57% no principal subsistema recomenda uma leitura cautelosa: houve melhora relevante de curto prazo, mas o dado isolado não garante segurança para todo o período úmido nem antecipa redução de preços ou encargos.

Reservatórios mostram quadro desigual

No rio Grande, Furnas armazenava 62% do volume útil, Mascarenhas de Moraes 74%, Marimbondo 54% e Água Vermelha 33%. No Paranaíba, Nova Ponte estava em 47%, Emborcação em 56%, Itumbiara em 71% e São Simão em 34%. Os percentuais mostram que o quadro permanece heterogêneo mesmo dentro de uma região com vazões recentes acima da média.

No Tietê, Barra Bonita registrava 91%, Promissão 96% e Três Irmãos 76%. Os dois primeiros reservatórios operavam acima dos volumes mínimos associados à navegação apresentados pelo ONS: 47,8% em Barra Bonita e 28,7% em Promissão.

Defluências permanecem acima dos mínimos

O documento também registra, em 22 de setembro, defluências de 5.330 metros cúbicos por segundo em Jupiá e de 4.681 metros cúbicos por segundo em Porto Primavera. Os valores estavam acima dos referenciais mínimos de 3.300 metros cúbicos por segundo em Jupiá e 3.900 metros cúbicos por segundo em Porto Primavera; neste último caso, o mínimo informado vale até 31 de outubro de 2026.

Para geradores, comercializadores, navegadores e demais usuários da água, o fato novo é a consolidação de dados observados durante o mês, distinta das previsões publicadas no início de setembro. O resultado melhora a informação disponível para a operação, mas não elimina a necessidade de acompanhar chuvas, afluências, armazenamento e restrições em cada trecho da bacia.

O que acompanhar em outubro

Os próximos pontos de controle são o fechamento de setembro, a evolução das vazões em outubro, o nível agregado do Sudeste/Centro-Oeste e a regra operacional aplicável a Porto Primavera depois de 31 de outubro. Novas decisões da ANA ou do ONS poderão ajustar limites e coordenação entre geração, navegação e outros usos da água conforme as condições se alterem.