Neoenergia concentra R$ 5,7 bilhões em redes de distribuição até setembro

Aporte representa 92% do capex de R$ 6,2 bilhões informado para os nove primeiros meses de 2026. Base regulatória chegou a R$ 48,2 bilhões.
A Neoenergia informou ter investido R$ 6,2 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, dos quais R$ 5,7 bilhões foram destinados à distribuição de energia. O segmento concentrou cerca de 92% do capex acumulado e levou a Base de Remuneração Regulatória (BRR) das cinco distribuidoras a R$ 48,2 bilhões.
O volume está associado ao ciclo anunciado após a renovação, em maio, das concessões da Neoenergia Coelba, na Bahia, da Neoenergia Cosern, no Rio Grande do Norte, e da Neoenergia Elektro, em São Paulo e Mato Grosso do Sul. A empresa havia indicado R$ 50 bilhões de investimentos nas áreas de suas cinco distribuidoras entre 2026 e 2030. Neoenergia Pernambuco teve a concessão renovada em 2025; Neoenergia Brasília foi adquirida em 2021 e não integrou aquele processo de renovação.
Base regulatória não equivale a repasse automático
A BRR reúne ativos reconhecidos para a prestação do serviço regulado e serve de referência nos processos tarifários. O crescimento dessa base não significa repasse imediato e integral do valor investido às tarifas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) verifica a prudência dos investimentos, a entrada dos ativos em operação e as regras aplicáveis a cada revisão.
Energia injetada cresceu 6,9%
No terceiro trimestre, a energia injetada, incluída a geração distribuída, alcançou 22.857 gigawatts-hora (GWh), aumento de 6,9% sobre o mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o desempenho operacional à expansão do mercado de distribuição e à contribuição de novos ativos de transmissão.
Qualidade ficou dentro dos limites informados
As cinco distribuidoras ficaram dentro dos limites regulatórios de Duração Equivalente de Interrupção por Consumidor (DEC) e Frequência Equivalente de Interrupção por Consumidor (FEC), segundo o balanço. Pernambuco, Elektro e Brasília melhoraram o DEC na comparação anual; Pernambuco, Cosern, Elektro e Brasília registraram melhora no FEC.
Os indicadores medem duração e frequência das interrupções, mas o comunicado não detalha o desempenho por área de concessão nem o efeito individual das obras sobre cada conjunto de consumidores. A confirmação do benefício dependerá dos dados fiscalizados pela ANEEL e da energização dos ativos incorporados ao programa.
Transmissão recebeu R$ 1,7 bilhão com operação societária
Na transmissão, a empresa concluiu em setembro a operação com o fundo soberano GIC, de Cingapura. O negócio gerou entrada de R$ 1,7 bilhão em caixa e deixou a Neoenergia com 51% da Neoenergia Transmissão. Trata-se de rotação societária de ativos existentes, distinta do capex de distribuição informado para o período.
Execução anual e indicadores serão os próximos marcos
Os próximos marcos são a divulgação do capex anual, a identificação das obras que entraram efetivamente em operação, a evolução de DEC e FEC e o reconhecimento regulatório dos ativos nos processos tarifários. Esses dados permitirão comparar a execução de 2026 com o compromisso de R$ 50 bilhões para 2026–2030.
