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Mombak busca US$ 150 milhões para restaurar áreas na Amazônia

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Ilustração editorial de áreas de restauração florestal conectadas a acompanhamento ambiental e financiamento de longo prazo
Ilustração editorial produzida por inteligência artificial sobre restauração florestal e financiamento climático; não representa área, fazenda ou projeto real.

Segundo fundo de restauração tem meta de US$ 150 milhões, acesso a uma linha de R$ 200 milhões do Fundo Clima e contrato plurianual de compra de créditos com a Salesforce.

A Mombak anunciou nesta segunda-feira, 21 de setembro, o primeiro fechamento de seu segundo fundo de restauração florestal na Amazônia e um contrato plurianual para venda de créditos de remoção de carbono à Salesforce. Batizado de Amazon Reforestation Fund II, o veículo tem meta de captar US$ 150 milhões e contará com acesso a uma linha de crédito de R$ 200 milhões do Fundo Clima, operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A operação combina capital de investidores, dívida pública voltada à transição climática e contratos futuros de compra de créditos. O modelo procura financiar a aquisição ou recuperação de áreas degradadas, o plantio de espécies nativas e a manutenção da floresta durante o período necessário para que a captura de carbono possa ser medida, auditada e convertida em créditos comercializáveis.

A cifra de US$ 150 milhões é a meta total do fundo, não o valor já captado no primeiro fechamento. A Mombak não divulgou quanto ingressou nesta etapa nem a identidade de todos os investidores. Também não foram informados o volume de créditos contratado pela Salesforce, o preço por tonelada ou o calendário de entrega.

Meta de captação não é dinheiro já levantado

A linha de R$ 200 milhões do Fundo Clima é uma fonte de crédito acessível ao veículo, e não uma doação ou a confirmação de que todo o montante já foi desembolsado. O BNDES administra essa modalidade como instrumento financeiro para projetos compatíveis com a política climática; liberações dependem da estrutura contratual, da elegibilidade dos projetos e do cumprimento das condições pactuadas.

O banco informa, em sua plataforma dedicada a florestas, que já mobilizou R$ 2,7 bilhões do Fundo Clima, do Fundo Amazônia e de recursos próprios para restauração e conservação. No caso anunciado pela Mombak, a dívida pode ampliar a capacidade de investimento do fundo, mas também cria obrigações financeiras que precisam ser compatibilizadas com a maturação lenta dos projetos florestais e com a receita futura dos créditos.

Crédito de remoção representa uma tonelada de dióxido de carbono retirada da atmosfera e armazenada, neste caso, pelo crescimento da vegetação e pelo carbono incorporado ao ecossistema. O plantio por si só não gera automaticamente um ativo aceito pelo mercado: é necessário demonstrar adicionalidade, acompanhar a sobrevivência das árvores, quantificar o carbono, tratar riscos de incêndio ou desmatamento e submeter o resultado a verificação independente conforme a metodologia aplicável.

Crédito de carbono depende de medição e verificação

A empresa espera emitir cerca de 80 mil toneladas métricas de créditos de remoção até o fim de 2026. Trata-se de uma expectativa, não de volume já certificado ou entregue. O primeiro fundo da Mombak captou US$ 120 milhões e, segundo a companhia, financiou restauração em 15 fazendas amazônicas, com quase 15 milhões de árvores nativas plantadas.

O contrato de compra de longo prazo, conhecido como offtake, dá previsibilidade de demanda ao projeto e pode ajudar a sustentar o financiamento antes da emissão dos créditos. Para a compradora, porém, o acordo não equivale à remoção imediata das emissões: o benefício climático somente se materializa à medida que os projetos entregam créditos verificados e estes são aposentados para evitar dupla contagem.

Para investidores, a operação amplia a oferta de um ativo ligado à restauração, mas mantém riscos próprios de projetos de longa duração, como execução em campo, regularidade fundiária, incêndios, mudanças metodológicas, preço futuro dos créditos e permanência do carbono. A combinação entre capital e dívida exige ainda que o fluxo de receitas seja suficiente para remunerar os investidores e pagar o financiamento.

O que muda para investidores e compradores

Para proprietários de áreas degradadas e prestadores de serviços florestais, a expansão do fundo pode criar demanda por terras, mudas, implantação, monitoramento e manutenção. Para empresas compradoras, aumenta a disponibilidade potencial de remoções baseadas na natureza, num mercado em que qualidade, transparência e rastreabilidade são decisivas para reduzir o risco de alegações ambientais exageradas.

A Salesforce se soma a empresas de tecnologia que já contrataram créditos da Mombak. A entrada de uma compradora com acordo plurianual reforça a tendência de contratos antecipados, usados para financiar projetos antes que a floresta atinja a capacidade de captura prevista. O interesse não elimina a necessidade de as empresas reduzirem diretamente suas próprias emissões; créditos servem como instrumento complementar para emissões residuais ou metas específicas.

O próximo marco financeiro será a conclusão da captação do fundo. Na execução, será necessário estruturar os desembolsos da linha do Fundo Clima, selecionar e regularizar novas áreas, implantar a restauração e manter sistemas de monitoramento. Na frente comercial, permanecem pendentes os detalhes do contrato com a Salesforce e a confirmação, por certificação independente, do volume de créditos que poderá ser emitido e entregue.