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Desembargadora Maria do Carmo Cardoso propõe conciliação na Aneel para reduzir judicialização

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Desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso durante a palestra magna do LAWINFRA Summit Brasília 2026
A desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso durante a palestra magna dos Grandes Painéis do LAWINFRA Summit Brasília 2026. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

Em palestra magna no LAWINFRA Summit Brasília 2026, magistrada defende solução prévia de conflitos regulatórios e cita decisões que destravaram bilhões no setor elétrico.

A desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) Maria do Carmo Cardoso defendeu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) amplie mecanismos de conciliação para solucionar conflitos regulatórios antes que as controvérsias cheguem à Justiça.

Para a magistrada, estabilidade das regras, previsibilidade e redução da judicialização são condições essenciais para investimentos de longo prazo no setor elétrico.

A defesa foi feita nesta sexta-feira (18/9), durante a palestra magna dos Grandes Painéis do LAWINFRA Summit Brasília 2026, no B Hotel, em Brasília.

Maria do Carmo tratou a energia como questão de Estado, diante de seu impacto sobre desenvolvimento econômico, inclusão social e soberania. Ela ressaltou que projetos de geração e transmissão são planejados para décadas e, por isso, precisam de estabilidade regulatória.

“Não há inclusão social sem energia. Não há soberania nacional sem energia. Discutir segurança jurídica no setor elétrico é discutir crescimento econômico.”

A desembargadora fez um apelo à Aneel para que divergências com agentes do setor sejam submetidas previamente a processos conciliatórios. Segundo ela, parte dos conflitos nasce de questões administrativas ou de interpretação que poderiam ser solucionadas sem intervenção judicial.

Maria do Carmo Cardoso fala diante de painel que apresenta seu nome e sua trajetória no TRF1
Maria do Carmo Cardoso defendeu mecanismos conciliatórios para solucionar previamente conflitos regulatórios. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

“Fiz aquele apelo à Aneel para que busque um processo conciliatório, porque os desencontros entre a atuação da Aneel e dos setores são muito graves, às vezes somente por uma questão de redação de uma portaria.”

Maria do Carmo afirmou ainda que o TRF1 se tornou um “verdadeiro fórum nacional do direito de energia”, pela presença, em Brasília, de instituições responsáveis pela formulação, regulação e operação do setor e pela abrangência territorial da Corte.

Como exemplos da relevância dessas decisões, citou a repactuação do risco hidrológico (GSF), que destravou bilhões de reais na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e o julgamento relacionado ao apagão do Amapá.

Maria do Carmo Cardoso discursa no palco do LAWINFRA Summit Brasília 2026 diante do público
Palestra magna dos Grandes Painéis do LAWINFRA Summit Brasília 2026, no B Hotel, em Brasília. Foto: Celso Júnior / LAWINFRA.

Ao tratar do papel do Judiciário, defendeu respeito às decisões técnicas das agências reguladoras, aliado à análise das consequências práticas dos julgamentos. “A energia move máquinas, mas a segurança jurídica move investimentos. Sem segurança jurídica não há expansão da infraestrutura”, concluiu.