Brasil precisa destravar investimentos em infraestrutura, diz Aleluia

Engenheiro eletricista e ex-deputado federal defende ampliar a participação privada e reduzir entraves regulatórios e jurídicos que dificultam projetos e limitam o crescimento do país.
Entrevista na íntegra
O Brasil precisa remover obstáculos que atrasam investimentos e ampliar a participação da iniciativa privada na infraestrutura, afirmou o engenheiro eletricista e ex-deputado federal José Carlos Aleluia Costa em entrevista à Times Brasil | CNBC durante o LAWINFRA Summit Brasília 2026.
A conversa integra a cobertura especial realizada pela emissora em parceria com o LAWINFRA. Aleluia relacionou o potencial de crescimento do país à capacidade de transformar demanda por infraestrutura em projetos executáveis, com regras compreensíveis e condições que permitam a entrada de capital privado.
Segundo a abordagem apresentada na entrevista, os entraves não se limitam à disponibilidade de recursos. Barreiras regulatórias e jurídicas também dificultam decisões de investimento, alongam cronogramas e reduzem o número de empreendimentos capazes de sair do planejamento para a execução.
Capital privado precisa encontrar projetos viáveis
A participação privada pode ampliar a capacidade de investimento em energia, transportes, saneamento, telecomunicações e outras redes essenciais. Para isso, projetos precisam combinar necessidade pública, modelagem econômica, repartição clara de riscos e mecanismos contratuais capazes de atravessar ciclos políticos e econômicos.
A defesa de maior presença empresarial não elimina o papel do Estado. O poder público continua responsável por planejar, definir prioridades, estruturar licitações, fiscalizar contratos e proteger usuários. A iniciativa privada acrescenta financiamento, capacidade de execução e gestão, dentro das obrigações assumidas em cada concessão ou parceria.
Quando a modelagem é insuficiente, o projeto pode atrair pouca competição, exigir revisões sucessivas ou produzir conflitos depois da contratação. Quando as regras são previsíveis e o empreendimento é tecnicamente maduro, investidores conseguem estimar custos, receitas, prazos e responsabilidades com maior precisão.
Entraves regulatórios viram custo
Aleluia chamou atenção para o efeito dos obstáculos regulatórios e jurídicos sobre o investimento. Licenças, autorizações, acesso a redes, decisões de órgãos diferentes e mudanças de interpretação podem se acumular. A demora aumenta despesas financeiras e pode tornar inviável um projeto que parecia sustentável no início.
O custo dessa incerteza não fica restrito às empresas. Riscos difíceis de calcular tendem a aparecer em propostas mais caras, exigências maiores de garantia ou desistência de investimentos. Em infraestrutura, atrasos também adiam os benefícios econômicos e sociais esperados da nova capacidade.
Destravar investimentos, nesse contexto, não significa afastar controles ambientais, regulatórios ou jurídicos. Significa coordenar decisões, cumprir prazos, tornar critérios transparentes e evitar que exigências incompatíveis produzam impasses sem melhorar a qualidade ou a segurança do empreendimento.
Segurança jurídica e capacidade de execução
A segurança jurídica é especialmente relevante porque contratos de infraestrutura têm duração longa e exigem desembolsos elevados antes da geração de receita. Investidores precisam saber como serão tratados alterações regulatórias, eventos imprevisíveis, pedidos de reequilíbrio e controvérsias ao longo da execução.
Também é necessário manter uma carteira de projetos bem preparados. Anúncios e estimativas de investimento não substituem estudos, licenças, edital, contrato, financiamento e obra. A capacidade de executar cada etapa determina se o capital disponível será convertido em infraestrutura efetivamente entregue.
A entrevista de José Carlos Aleluia à Times Brasil | CNBC está disponível na íntegra acima. O vídeo foi gravado durante o LAWINFRA Summit Brasília 2026, encontro que reuniu autoridades e especialistas para discutir energia, transmissão, armazenamento, data centers e os desafios gerais da infraestrutura brasileira.
