Iphan exige musealização de novos achados na estação 14 Bis-Saracura

Concessionária deverá propor preservação integral de estruturas possivelmente ligadas a espaço de culto afro-brasileiro; retirada foi suspensa em área crítica para a obra da Linha 6-Laranja.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou a musealização integral de novos achados arqueológicos na obra da estação 14 Bis-Saracura, da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo. A decisão de 23 de outubro também suspendeu a remoção dos vestígios na área das estruturas.
Concessionária deverá apresentar uma proposta
A Linha Uni, concessionária responsável pela obra, deverá apresentar uma proposta de preservação. A incorporação dos vestígios ao desenho da estação ou uma eventual retirada para remontagem em outro local dependerão de avaliação e autorização do instituto. Não há solução técnica aprovada nem prazo divulgado.
Vestígios foram encontrados em junho
Os vestígios foram encontrados em junho, a cerca de 2,2 metros de profundidade, durante o acompanhamento arqueológico. Entre os elementos descritos estão estruturas construídas, montículos de anil, feixe de gravetos, ossos de animais, conta de vidro e objetos que especialistas associam possivelmente a Ogum e Exu.
Indícios apontam para espaço de culto afro-brasileiro
A interpretação ainda é técnica e cautelar: há indícios de um antigo espaço de culto de religião afro-brasileira, possivelmente ligado ao território negro do Saracura e a um quilombo existente na região do Bixiga desde o século 19. A identificação definitiva depende do trabalho arqueológico e histórico.
Decisão muda autorização de setembro
Em setembro, o Iphan havia permitido o prosseguimento condicionado da pesquisa e a remoção após registro e coleta de amostras. A nova deliberação ocorreu depois de reunião com o Ministério Público Federal e muda o tratamento da área, que agora deverá permanecer preservada enquanto a solução de musealização é analisada.
Área é considerada crítica para a engenharia
A concessionária afirma seguir as determinações e manter diálogo com os órgãos envolvidos. Em documentação anterior, sustentou que a chamada área 6 é necessária para a sequência construtiva, a contenção e a drenagem da escavação e que uma ordem diferente poderia ampliar riscos de alagamento, instabilidade, erosão e impactos no entorno.
Preservação não permite antecipar atraso
Esse argumento não substitui a obrigação de preservar o patrimônio arqueológico. Ele delimita o desafio de engenharia que deverá ser conciliado com a decisão do Iphan. Também não permite calcular, neste momento, atraso ou custo adicional específico para a estação.
Projeto e cronograma serão os próximos marcos
A estação é a frente mais atrasada da linha e tinha 15,55% de avanço no último balanço público citado pela concessionária. Os próximos marcos são a apresentação do projeto de musealização, a avaliação do Iphan, a definição do método construtivo e a revisão do cronograma, se necessária.
