Gerdau hiberna 600 mil t/ano em Divinópolis e reduz laminação

Aciaria e altos-fornos foram paralisados; empresa diz que outras unidades manterão o abastecimento e que a medida não altera prazos de entrega.
A Gerdau informou à Comissão de Valores Mobiliários nesta sexta-feira, 6 de novembro, que hibernou os altos-fornos, a aciaria e os ativos relacionados da unidade de Divinópolis, em Minas Gerais. O laminador continuará em atividade, mas em escala reduzida e abastecido com aço produzido em outras plantas do grupo.
Capacidade equivale a 4% do grupo
A capacidade instalada atingida é de aproximadamente 600 mil toneladas de aço bruto por ano, equivalente a cerca de 4% da capacidade total da companhia. Segundo a Gerdau, os clientes passarão a ser atendidos por outras unidades e a reorganização não deverá afetar os prazos de entrega.
CVM pediu explicação sobre a divulgação
O detalhamento foi prestado depois de a área técnica da CVM questionar por que a paralisação, anunciada em 3 de novembro, não havia sido divulgada como fato relevante. A empresa sustentou que o impacto não é material para suas operações e que o comunicado ao mercado atende ao pedido da autarquia. O ofício não representa conclusão da CVM sobre eventual infração.
Município estima impacto sobre mil trabalhadores
A Prefeitura de Divinópolis estima que a medida afete aproximadamente mil trabalhadores próprios e terceirizados, o equivalente a 7,4% dos empregos industriais do município. A administração municipal também calcula que a usina possa responder por até 15% da cota-parte local do ICMS e que mais de 2 mil negócios do entorno tenham ligação com sua atividade.
Produção será redistribuída entre plantas
A Gerdau atribuiu a decisão ao custo do minério de ferro consumido pela unidade, à concorrência de aço importado e às condições do mercado internacional. Para a infraestrutura, a mudança reduz a produção integrada em Divinópolis, redistribui fluxos de aço entre plantas e aumenta a importância da logística usada para suprir o laminador remanescente.
Prazo da hibernação ainda é incerto
Os próximos marcos são a duração efetiva da hibernação, o volume que continuará sendo laminado, a realocação dos empregados e fornecedores e eventuais novos esclarecimentos ao mercado. Como a companhia não fixou prazo para retomada, a paralisação não deve ser tratada nem como suspensão breve nem como fechamento definitivo.
