Vale mantém capex em US$ 1,25 bi, retoma Fábrica e amplia Salobo

Mineradora reafirmou as metas de produção de 2026, espera investir no piso da faixa anual e aprovou expansão da capacidade no complexo de cobre no Pará.
A Vale investiu US$ 1,25 bilhão no terceiro trimestre de 2026, volume praticamente estável na comparação anual, e indicou que o desembolso do ano deve ficar no limite inferior da faixa de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões. O relatório de desempenho foi entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) às 19h17 desta quinta-feira (29).
Fábrica e Salobo marcam o trimestre
O trimestre trouxe dois marcos operacionais relevantes no Brasil. A mineradora informou a retomada da mina de Fábrica, em Minas Gerais, em setembro e a aprovação da expansão de capacidade de Salobo III, no Pará. O complexo de Salobo integra a estratégia de crescimento do cobre, mineral usado em redes elétricas, eletrificação e equipamentos industriais.
Expansão ainda depende de execução
A expansão aprovada não produz efeito imediato. Projetos minerais dependem de execução de engenharia, suprimentos, montagem, comissionamento e estabilidade operacional. A companhia também precisa transformar a retomada de Fábrica em produção regular antes que o volume contribua integralmente para as metas.
Metas de produção são mantidas
A Vale reafirmou as projeções de produção para 2026 e disse esperar que cobre e níquel terminem o ano na metade superior das respectivas faixas. No minério de ferro, a produção trimestral ficou abaixo do nível de um ano antes, enquanto paralisações em Fábrica e Viga e dificuldades em outras frentes afetaram o desempenho.
Frete e preços pressionam o resultado
O resultado financeiro refletiu a combinação de preços realizados menores para finos de minério de ferro, frete marítimo mais caro e valorização do real. O Ebitda pro forma, indicador usado para aproximar a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 20%, para US$ 3,51 bilhões. O lucro líquido atribuível aos acionistas recuou 53%, para US$ 1,26 bilhão.
A receita líquida avançou 2%, para US$ 10,6 bilhões, com contribuição de preços mais altos de cobre, níquel e subprodutos. O fluxo de caixa livre recorrente diminuiu 12%, para US$ 1,37 bilhão. Esses números são relevantes para a capacidade de financiar projetos, mas não substituem o acompanhamento físico de produção, custos, licenças e cronogramas.
Ajuste da Samarco não encerra reparação
Entre os efeitos extraordinários, a companhia registrou ajuste de US$ 322 milhões relacionado à Samarco. O valor contábil não redefine obrigações de reparação nem encerra compromissos associados aos rompimentos de barragens; esses temas permanecem sujeitos aos acordos, decisões e mecanismos próprios de acompanhamento.
Teleconferência detalhará a execução
O próximo marco é a teleconferência de resultados, marcada para sexta-feira (30), às 11h no horário de Brasília. Investidores, fornecedores e agentes públicos devem acompanhar o detalhamento da execução do capex, a estabilização de Fábrica, o cronograma de Salobo e a capacidade de entregar as metas anuais sem aumento relevante do custo por tonelada.
