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Expandir a rede sem demanda confirmada pode elevar a conta de luz, alerta Pedro Dante

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Pedro Henrique Dante conversa com o jornalista no estúdio da Times Brasil | CNBC
Pedro Henrique Dante, sócio da prática de energia do Lefosse Advogados, conversa com o jornalista no quadro LAWINFRA do jornal Radar. Captura da transmissão fornecida ao LAWINFRA. Imagem: Times Brasil | CNBC.

No quadro LAWINFRA da Times Brasil | CNBC, Pedro Henrique Dante explica o risco de investir em transmissão antes da confirmação dos grandes consumidores e defende coordenação entre expansão da rede e chegada dos projetos.

A expansão da transmissão precisa acompanhar a chegada efetiva dos grandes consumidores para evitar custos elevados de energia. Esse foi um dos alertas de Pedro Henrique Dante, sócio da prática de energia do Lefosse Advogados, na entrevista exibida em 10 de setembro no quadro LAWINFRA do jornal Radar, da Times Brasil | CNBC.

Ao responder sobre o efeito dos novos data centers na conta de luz, Dante explicou que construir antecipadamente toda a infraestrutura, sem certeza de que os consumidores se instalarão, pode elevar os custos do sistema. O desafio, em sua avaliação, é coordenar necessidades de curto, médio e longo prazo para preservar a competitividade.

O custo de antecipar a infraestrutura

O comentário aparece entre 1h02min17s e 1h02min54s da transmissão. Trata-se de um risco de planejamento apontado pelo entrevistado, sem anúncio de reajuste tarifário ou cálculo de impacto para os consumidores. A atualização desta matéria destaca esse trecho da mesma entrevista, cuja data original foi preservada.

A expansão da oferta de energia no Brasil convive com um obstáculo que se tornou decisivo para novos investimentos: a capacidade de conectar projetos e grandes consumidores à rede elétrica. O tema foi analisado nesta quinta-feira, 10 de setembro, por Pedro Henrique Dante, sócio da prática de energia do Lefosse Advogados, no quadro LAWINFRA do jornal Radar, da Times Brasil | CNBC.

A questão central é a diferença entre energia disponível no sistema e acesso efetivo à infraestrutura que permite transportá-la até o empreendimento. Uma região pode reunir geração abundante e, ainda assim, não oferecer margem suficiente em linhas, subestações ou pontos de conexão para atender uma nova carga no prazo exigido pelo investidor.

Conexão influencia a escolha do investimento

Esse descompasso ganhou relevância com o avanço de projetos intensivos em eletricidade, especialmente data centers, indústrias eletrointensivas e novos complexos de infraestrutura digital. Para essas atividades, energia não é apenas um custo operacional: disponibilidade contínua, qualidade do suprimento, redundância e prazo de conexão integram a própria decisão de localização do investimento.

Quando a conexão depende de reforços estruturais, os cronogramas deixam de ser controlados apenas pelo empreendedor. Estudos técnicos, pareceres de acesso, autorizações, contratos, obras de transmissão e intervenções em subestações precisam avançar de forma coordenada. A incompatibilidade entre o tempo do projeto empresarial e o tempo de expansão da rede pode adiar ou inviabilizar investimentos já concebidos.

O problema também possui dimensão jurídica e regulatória. Critérios transparentes para disputa de capacidade, tratamento dos pedidos em curso, garantias exigidas dos interessados e repartição dos custos de reforços são necessários para separar projetos maduros de solicitações especulativas sem destruir expectativas legítimas de quem estruturou investimentos sob regras anteriores.

Planejamento e segurança regulatória

A análise apresentada no quadro chama atenção para uma mudança de foco no planejamento. Não basta medir quantos megawatts o país consegue gerar. É preciso identificar onde a carga surgirá, quando precisará ser atendida e quais obras permitirão que a eletricidade chegue ao ponto de consumo com segurança e previsibilidade.

Para o investidor, a diligência sobre energia precisa começar antes da definição final do local. Capacidade física no ponto de acesso, horizonte das obras, responsabilidades contratuais, riscos de atraso e estabilidade das regras devem integrar os estudos de viabilidade ao lado de licenciamento, terreno, conectividade e incentivos fiscais.

Para o poder público e os agentes do setor, o desafio é sincronizar planejamento da geração, expansão da transmissão e localização das novas cargas. Energia abundante pode ser uma vantagem competitiva brasileira, mas somente se a infraestrutura de rede e o ambiente regulatório permitirem convertê-la em conexão efetiva e investimento realizado.

Energia abundante só se transforma em vantagem competitiva quando existe capacidade de conexão no local e no prazo do investimento.SÍNTESE DA ANÁLISE DE PEDRO HENRIQUE DANTE · LEFOSSE ADVOGADOS

Assista ao quadro LAWINFRA