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EPE estima US$ 30 milhões para adaptar gasoduto hipotético ao hidrogênio

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Ilustração editorial de gasoduto, estação de compressão e fontes renováveis em cenário de adaptação ao hidrogênio
A nota técnica avalia uma infraestrutura hipotética e não anuncia a conversão de um gasoduto existente. Ilustração editorial produzida com inteligência artificial. Crédito: LAWINFRA/IA.

Estudo de caso considera duto existente de 40 quilômetros e capacidade de 1 milhão de m³ por dia. Valor não é orçamento de projeto real e exclui custos operacionais e inspeção.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimou em US$ 30,08 milhões o investimento para adaptar uma infraestrutura hipotética de transporte de gás natural à movimentação de misturas com hidrogênio de baixa emissão de carbono. O estudo de caso considera um gasoduto existente de 40 quilômetros e uma estação de compressão com capacidade de 1 milhão de metros cúbicos por dia.

Estimativa não é orçamento de projeto real

O valor não é orçamento de projeto real. A Nota Técnica EPE/DPG/SPG/004/2026 usa custos atualizados para 2025, aplica taxa de 50% para tropicalização de equipamentos e exclui despesas operacionais por falta de dados públicos suficientemente fundamentados. Também não inclui custos de inspeção dos dutos.

Compressão concentra 74% do investimento

A estação de compressão concentra US$ 22,14 milhões, ou 74% do investimento estimado. Válvulas de seccionamento respondem por 15%; cromatógrafo, 7%; medidores, 2%; e reguladores de pressão, 2%. A composição mostra que a adaptação depende de componentes auxiliares e de controle, e não apenas da integridade da tubulação.

Mais hidrogênio exige mais vazão e potência

Nas simulações, a EPE avaliou diferentes percentuais de hidrogênio na mistura. Como o hidrogênio tem densidade energética volumétrica inferior à do gás natural, manter o mesmo conteúdo de energia exige elevar a vazão e a potência de compressão. A compatibilidade de materiais, medição, válvulas, equipamentos de uso final e segurança operacional precisa ser verificada caso a caso.

Limites variam conforme o equipamento

A nota destaca que algumas termelétricas a gás toleram percentuais de hidrogênio da ordem de 5% em volume e que os limites variam conforme o equipamento e a aplicação. Não existe, portanto, um único percentual automaticamente seguro para toda a rede. Padronização regulatória e evidência técnica ainda são necessárias antes de uma adoção em escala.

Conversão pode custar menos que duto novo

A conversão de gasodutos existentes para hidrogênio puro pode, segundo estudos internacionais citados pela EPE, economizar entre 75% e 90% do custo de construir dutos dedicados. Essa referência não foi calculada para um ativo brasileiro específico e deve ser tratada como ordem de grandeza, sujeita à condição dos materiais, à pressão e aos requisitos de operação.

Regulação e demanda ainda precisam avançar

O documento dá base técnica ao Programa Nacional do Hidrogênio e às discussões regulatórias da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os próximos passos são definir padrões de qualidade, segurança, medição e responsabilidade, além de avaliar economicamente cada corredor e a demanda efetiva que sustentaria o investimento.