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ANP abre nova etapa para programa de redução da concentração no mercado de gás

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Ilustração editorial de diferentes fornecedores conectados a uma rede compartilhada de gasodutos
Concorrência e acesso à infraestrutura de gás natural em ilustração conceitual. Imagem produzida com inteligência artificial; não retrata instalação ou reunião específica. Crédito: LAWINFRA/IA.

Encontro em 29 de setembro reunirá agentes da cadeia para subsidiar proposta de Gas Release; inscrições terminam nesta sexta-feira, 25.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizará em 29 de setembro o segundo workshop do Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural, conhecido como Gas Release. O encontro será presencial, no Rio de Janeiro, das 9h às 12h, e as inscrições ficam abertas até esta sexta-feira, 25 de setembro.

O objetivo informado pela agência é coletar subsídios de consumidores, produtores, transportadores, distribuidores, governos e reguladores estaduais para construir uma proposta de programa. Trata-se de uma etapa preparatória: a ANP ainda não publicou minuta, volumes obrigatórios, agentes alcançados, preços, prazos ou mecanismo de comercialização.

O que um programa de Gas Release pode alterar

Programas de Gas Release são instrumentos destinados a reduzir concentração e ampliar liquidez ao exigir ou estimular que detentores de grandes volumes ofertem parte do gás ao mercado. O desenho pode afetar acesso ao suprimento, formação de preços, contratos e competição, mas essas consequências dependerão das regras que vierem a ser propostas no Brasil.

A discussão se conecta à abertura do mercado prevista pela Lei do Gás e às dificuldades de ampliar a diversidade de ofertantes. Para consumidores industriais e comercializadores, mais gás disponível pode criar alternativas de contratação; para produtores e agentes dominantes, uma obrigação mal calibrada pode interferir em contratos, investimentos e estratégias de escoamento.

Workshop não equivale a regra aprovada

O comunicado não transforma o workshop em consulta pública nem antecipa decisão da Diretoria Colegiada. Depois da coleta de informações, uma eventual proposta regulatória ainda deverá identificar o problema concorrencial, definir base legal, avaliar impactos e passar pelos procedimentos de participação e deliberação aplicáveis.

Entre os pontos que exigem definição estão o critério para selecionar participantes, a quantidade e a duração das ofertas, o tratamento de contratos existentes, as garantias de entrega e pagamento e a relação com a capacidade disponível em gasodutos e outras infraestruturas essenciais.

Oferta adicional depende de infraestrutura e acesso

Também será necessário separar aumento de oferta de acesso efetivo ao mercado. Volumes adicionais não produzem concorrência se consumidores não conseguem contratar transporte, processar o gás ou superar restrições de capacidade, tributação e coordenação entre regulações federal e estaduais.

A ANP realizou o primeiro workshop sobre o tema em março. O segundo encontro indica continuidade da formulação, mas não permite concluir qual modelo a agência adotará ou quando uma regra poderá entrar em vigor.

O que acompanhar depois do encontro

Os próximos marcos são a realização do workshop, a divulgação dos subsídios recebidos e a eventual publicação de estudo, análise de impacto ou minuta. Até lá, o programa deve ser tratado como proposta em construção, não como nova obrigação vigente no mercado de gás.