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Hidrogênio limpo soma US$ 130 bilhões; demanda ainda limita novos projetos

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Complexo de hidrogênio limpo integrado a energia eólica, solar, armazenamento e infraestrutura portuária
O levantamento reúne projetos em diferentes países e estágios; a imagem representa a cadeia de produção, armazenamento e logística de hidrogênio. Ilustração editorial: LAWINFRA/IA.

Relatório contabiliza mais de 570 projetos, capacidade comprometida de 6,9 milhões de toneladas anuais e US$ 130 bilhões; execução das políticas e contratos de compra continuam decisivos.

Os investimentos comprometidos em projetos de hidrogênio limpo superaram US$ 130 bilhões no mundo, segundo o Global Hydrogen Compass 2026, divulgado nesta quinta-feira, 10 de setembro, pelo Hydrogen Council em colaboração com a McKinsey & Company. O levantamento reúne mais de 570 empreendimentos e associa esse capital a 6,9 milhões de toneladas anuais de capacidade de produção.

O termo comprometido não representa todo anúncio incluído na carteira global. Na metodologia utilizada pelo conselho, a categoria alcança projetos que chegaram à decisão final de investimento, estão em construção ou já operam. Ainda assim, o valor de US$ 130 bilhões é acumulado e não corresponde a desembolso realizado apenas em 2026.

A entidade afirma que aproximadamente 90% dos projetos contabilizados estão em construção ou em operação. A capacidade efetivamente operacional quase dobrou no último ano e poderá voltar a duplicar em 2027 à medida que unidades em implantação entrarem em serviço. As projeções dependem do cumprimento dos cronogramas e do desempenho técnico de cada ativo.

Em comparação com a edição de 2025, o investimento comprometido aumentou de mais de US$ 110 bilhões para mais de US$ 130 bilhões, enquanto o número de projetos passou de 510 para mais de 570. A capacidade associada avançou de cerca de 6 milhões para 6,9 milhões de toneladas por ano. O crescimento mostra maturação da carteira, mas permanece distante das ambições anunciadas para o fim da década.

A China concentra mais da metade da capacidade comprometida de hidrogênio renovável e respondeu por 90% da nova capacidade operacional adicionada desde 2025. A Europa ocupa a segunda posição em investimento e registrou crescimento relativo de 35%, enquanto os Estados Unidos reúnem aproximadamente 75% da capacidade mundial comprometida de hidrogênio e amônia de baixo carbono.

As categorias não devem ser confundidas. Hidrogênio renovável é produzido por eletrólise alimentada por fontes renováveis. A classificação de baixo carbono pode abranger outras rotas, inclusive produção a partir de combustíveis fósseis com captura de emissões, dependendo dos limites e critérios adotados. Custos, intensidade de carbono e infraestrutura necessária variam entre as tecnologias.

A demanda continua sendo o principal limite econômico. Políticas já aprovadas e aplicadas poderiam sustentar cerca de 6 milhões de toneladas anuais de consumo em 2030. Outros 5 milhões de toneladas dependeriam da execução integral de medidas existentes. Portanto, o potencial total de 11 milhões de toneladas não equivale a contratos firmes de compra.

Sem demanda contratada, plantas de produção enfrentam dificuldade para obter financiamento de longo prazo. Refinarias, fertilizantes, siderurgia, navegação e transporte pesado são mercados possíveis, mas a substituição do hidrogênio convencional ou de combustíveis fósseis ainda pode elevar custos. Projetos foram reduzidos ou cancelados quando subsídios, infraestrutura ou compradores não se materializaram.

A infraestrutura física também condiciona a expansão. Eletricidade de baixa emissão, água, eletrolisadores, armazenamento, gasodutos, terminais e instalações de conversão para amônia ou outros derivados precisam avançar de forma coordenada. Capacidade nominal de produção, isoladamente, não assegura entrega competitiva ao consumidor final.

O relatório foi apresentado durante a Hydrogen Energy Ministerial Meeting, em Tóquio, encontro que reuniu governo e indústria para discutir cadeias de suprimento, transporte marítimo e formação de demanda. A origem do levantamento deve ser considerada: o Hydrogen Council é uma associação empresarial e suas estimativas não substituem estatísticas oficiais ou auditorias independentes de cada projeto.

Para o Brasil, os números oferecem referência para projetos de hidrogênio e derivados vinculados a portos, zonas industriais e geração renovável. A vantagem de recursos energéticos precisa ser convertida em contratos de compra, conexão elétrica, licenciamento, logística, certificação de emissões e financiamento antes que memorandos de entendimento se transformem em ativos operacionais.

Os próximos indicadores relevantes serão a capacidade efetivamente inaugurada, o custo por quilograma, a contratação de demanda, a taxa de cancelamento e o volume de capital desembolsado. A passagem de US$ 130 bilhões é um marco da carteira madura, mas a sustentabilidade do setor será medida pela produção vendida e pela capacidade de operar sem apoio transitório permanente.