Consumo elétrico cresce 2,6% no 2º trimestre; mercado livre chega a 45,7%

Residências avançaram 5,8%, comércio cresceu 4,9% e indústria ficou praticamente estável; número de consumidores livres aumentou 21,5% em um ano.
O consumo nacional de energia elétrica cresceu 2,6% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade nº 26, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 18 de setembro. O avanço foi puxado pelas classes residencial e comercial, enquanto a indústria permaneceu praticamente estável.
No mesmo intervalo, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2% na comparação anual. A diferença entre a expansão do consumo elétrico e a atividade econômica agregada não mede, sozinha, eficiência energética: temperatura, composição setorial, geração própria, migração de consumidores e mudanças de hábitos também alteram a demanda da rede.
O boletim é um retrato consolidado do trimestre. Ele não constitui projeção para o restante do ano nem significa que todas as regiões, distribuidoras e classes tenham crescido na mesma proporção. Os percentuais comparam volumes de energia consumidos em períodos equivalentes.
Residências e comércio puxam o crescimento
A classe residencial registrou a maior alta, de 5,8%, depois de crescer 1,3% no trimestre anterior. O consumo comercial avançou 4,9%. Esses dois movimentos elevaram a demanda atendida por redes de distribuição e podem refletir combinação de atividade de serviços, expansão de unidades consumidoras e condições climáticas.
Na indústria, a variação foi de 0,2%. O resultado interrompeu três trimestres consecutivos de queda, mas ainda representa estabilidade, e não retomada generalizada. Processos eletrointensivos, produção física e uso de autoprodução podem produzir trajetórias diferentes entre ramos industriais.
Pelo lado da economia, a agropecuária cresceu 6,8% no trimestre, e indústria e serviços avançaram 1,5% cada. Exportações aumentaram 3,8%, consumo do governo 3,1%, formação bruta de capital fixo 1,4% e consumo das famílias 0,5%, segundo os dados econômicos usados pela EPE para contextualizar a demanda elétrica.
Mercado livre amplia participação
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), o consumo cresceu 3,4% e alcançou 45,7% do total nacional. No mercado regulado das distribuidoras, o avanço foi de 2%, com participação de 54,3%. A divisão se refere à energia consumida em cada ambiente e não à parcela da população atendida por eles.
O número de consumidores no mercado livre aumentou 21,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. A alta mostra continuidade das migrações, mas não implica crescimento equivalente do volume: muitos entrantes são menores do que os grandes consumidores industriais que historicamente concentraram o ACL.
A migração muda a forma de contratar energia, mas não elimina o uso das redes. Consumidores livres continuam pagando tarifas de transmissão ou distribuição, encargos aplicáveis e serviços relacionados à conexão. A economia de cada empresa depende do preço negociado, do perfil de carga, das garantias e dos custos regulados.
O que os números indicam para o setor
Para distribuidoras, a expansão residencial e comercial mantém pressão sobre operação, qualidade e investimentos em redes, enquanto a migração para o mercado livre altera a composição da energia faturada. O planejamento precisa distinguir crescimento físico da carga, perda de mercado de energia e receitas reguladas pelo uso da infraestrutura.
Para geradores e comercializadores, o aumento do número de consumidores livres amplia a base potencial de contratos e serviços de gestão. O crescimento moderado do consumo industrial, porém, recomenda cautela ao transformar quantidade de clientes em expectativa de demanda: o volume depende do desempenho de cada ramo e do ritmo de produção.
As próximas edições do boletim mostrarão se a aceleração residencial e comercial continuou no terceiro trimestre e se a estabilidade industrial se converteu em recuperação. Até lá, o dado confirmado é o crescimento de 2,6% no trimestre encerrado em junho, com participação do ACL próxima de metade do consumo nacional.
