Projeto de celulose de R$ 27 bilhões recebe licença prévia no RS

Fepam reconheceu a viabilidade ambiental da fábrica de 3 milhões de toneladas por ano em Barra do Ribeiro; decisão permite preparar a licença de instalação, mas ainda não autoriza obras.
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam) emitiu a licença prévia do Projeto Natureza, da CMPC, em Barra do Ribeiro. O empreendimento reúne investimento estimado em R$ 27 bilhões e uma nova fábrica com capacidade projetada de 3 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto por ano.
Documento foi emitido em 22 de outubro
A Licença Prévia 00118/2026 foi gerada em 22 de outubro e entregue publicamente pelo governo estadual no dia 23. O documento reconhece a viabilidade ambiental da localização e estabelece condicionantes para o planejamento. Sua validade se estende até outubro de 2031, segundo a documentação divulgada.
Licença prévia não libera obras
A decisão não autoriza canteiro, obras ou operação industrial. A empresa poderá preparar os projetos e controles necessários para solicitar a licença de instalação. Somente a aprovação dessa próxima etapa pela Fepam permitirá iniciar as intervenções expressamente autorizadas.
Projeto prevê geração própria de energia
O projeto industrial utiliza o processo Kraft. A proposta prevê geração térmica e elétrica com licor negro, subproduto da produção de celulose, em volume suficiente para atender a unidade e comercializar eventual excedente no Sistema Interligado Nacional. A execução e a conexão ainda dependem do detalhamento dos projetos e das autorizações aplicáveis.
Terminal portuário integra a logística
A logística inclui transporte terrestre de madeira e insumos, conexão hidroviária e terminal próprio. A iniciativa está associada ao terminal de celulose planejado no Porto do Rio Grande, estimado em R$ 1,5 bilhão e já objeto de cessão de área. O avanço de uma frente não substitui as licenças, contratos e obras exigidos nas demais.
Empregos ainda são estimativas
As projeções apresentadas indicam até 12 mil trabalhadores no pico da implantação, cerca de 800 empregos diretos na operação e 1,5 mil postos permanentes de empresas contratadas. São estimativas condicionadas à decisão final de investimento, ao licenciamento e à implantação da fábrica.
Análise teve audiência e contribuições
O licenciamento incluiu Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, audiência pública com 1.178 participantes presenciais e 1.376 visualizações e um período total de 60 dias para contribuições. A compensação ambiental prevista equivale a 0,5% do valor de referência do empreendimento, conforme os critérios do Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
Licença de instalação será o próximo teste
Os próximos marcos verificáveis são o protocolo e a análise da licença de instalação, a consolidação das condicionantes, a decisão de investimento da CMPC e o cronograma integrado da fábrica e de sua logística. Até esses atos, os valores, empregos e capacidade permanecem projeções de um projeto ambientalmente viável na etapa preliminar, e não de uma obra contratada em execução.
