Transmissão de energia trava infraestrutura e exige novas soluções

Carlos Mattar, superintendente da ANEEL, explica por que a existência de energia não garante capacidade de conexão e aponta caminhos para usar melhor a rede e planejar sua expansão.
Assista à entrevista
O Brasil convive com uma aparente contradição: há excesso de energia em algumas regiões e, ao mesmo tempo, falta capacidade da rede de transmissão em determinados pontos para atender novos projetos. A distinção foi destacada por Carlos Alberto Calixto Mattar, superintendente de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica da ANEEL, em entrevista à Times Brasil | CNBC durante o LAWINFRA Summit Brasília 2026.
O problema não é apenas quanto o país consegue gerar. Para que uma indústria, um data center ou outro grande consumidor entre em operação, a energia precisa chegar ao local pretendido, no volume necessário e dentro do cronograma do empreendimento. Isso depende da capacidade dos pontos de conexão, das linhas, das subestações e das condições de operação da rede.
Energia disponível não significa conexão disponível
Por essa razão, a existência de oferta de geração não equivale a uma garantia de atendimento imediato. Um projeto pode encontrar energia no sistema e ainda assim depender de reforços, ampliações ou de uma solução diferente para acessar a infraestrutura elétrica com segurança e confiabilidade.
Mattar ressaltou que o desafio regulatório é compatibilizar a expansão da rede com as cargas que solicitam acesso. A decisão precisa separar demanda efetiva de projetos ainda incertos, porque obras de transmissão exigem investimento elevado, planejamento de longo prazo e custos que repercutem sobre o sistema.
A resposta, segundo a abordagem apresentada na entrevista, não se limita à construção de novas linhas. Também envolve aproveitar melhor a infraestrutura existente, identificar onde há capacidade disponível e organizar a contratação de forma compatível com as condições reais da rede.
Otimizar a rede e planejar o longo prazo
Entre as alternativas debatidas estão tarifas horárias e a contratação de demanda conforme a disponibilidade do sistema. Esses instrumentos podem incentivar o uso da rede em períodos menos pressionados, mas sua aplicação depende de regras claras, medição adequada, segurança operacional e análise dos efeitos econômicos sobre os agentes.
A entrevista reforça uma conclusão central do LAWINFRA Summit: planejar geração, transmissão e novas cargas de forma separada aumenta o risco de atrasos, ociosidade ou investimentos mal alocados. A solução exige coordenação entre regulação, planejamento, operação do sistema e decisões empresariais.
Assista à entrevista completa nesta página para acompanhar a análise de Carlos Mattar e as alternativas discutidas para tornar a rede mais segura, confiável e eficiente.
