BNDES financia duas usinas de biometano com R$ 180,7 milhões

Recursos do Fundo Clima e do BNDES Finem apoiam plantas em Vila Velha e Mauá, com capacidade combinada de 97 mil m³ por dia e operação prevista para 2027.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 180,7 milhões para financiar duas usinas de biometano em Vila Velha, no Espírito Santo, e Mauá, em São Paulo. Os recursos virão do Fundo Clima e da linha BNDES Finem, dentro de um investimento total estimado em R$ 245 milhões.
Os projetos GNR Vila Velha e GNR Mauá são desenvolvidos por parceria entre os grupos Lara e MDC Energia. As unidades transformarão biogás captado em aterros sanitários em combustível renovável com especificação para substituir gás natural fóssil em usos industriais e de transporte.
Capacidade combinada de 97 mil m³ por dia
A planta capixaba receberá R$ 78,8 milhões e terá capacidade prevista de 32 mil metros cúbicos normais por dia. A unidade paulista contará com R$ 101,9 milhões e poderá produzir 65 mil metros cúbicos por dia.
Somadas, as usinas acrescentarão 97 mil metros cúbicos diários de capacidade. A escala é relevante porque reúne tratamento de resíduos, captura de metano e oferta de combustível em dois mercados industriais do Sudeste.
O financiamento representa cerca de 74% do investimento total informado. A combinação do Fundo Clima com o BNDES Finem permite alongar prazos e reduzir o custo de capital de ativos que exigem obras de captação, purificação, compressão, medição e conexão logística.
Investimento total chega a R$ 245 milhões
O biometano será produzido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos nos aterros. Depois da remoção de contaminantes e do dióxido de carbono, o combustível precisa atender às especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para ser comercializado.
Segundo o anúncio do BNDES, a produção será vendida à Ultragaz por contratos de longo prazo. Esse tipo de acordo reduz o risco de demanda para o financiador e dá previsibilidade de receita aos projetos antes do início da operação.
A previsão é que as duas plantas entrem em operação comercial no primeiro semestre de 2027. Até lá, os projetos ainda dependem da execução das obras, do comissionamento dos equipamentos e do cumprimento das autorizações técnicas e ambientais aplicáveis.
Operação prevista para o primeiro semestre de 2027
As obras devem gerar 575 empregos diretos e indiretos, e as operações manterão mais de 50 postos permanentes. O efeito econômico mais amplo dependerá da regularidade do fornecimento de biogás, do desempenho das plantas e da logística de entrega do combustível aos compradores.
Para a política de infraestrutura, o financiamento conecta três agendas: gestão de resíduos, segurança energética e descarbonização. A transformação do metano de aterros em combustível reduz emissões fugitivas e cria receita a partir de um passivo ambiental, mas exige monitoramento para comprovar volumes, qualidade e benefícios climáticos ao longo da vida dos projetos.
