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Bancos multilaterais adotam marco para financiar cadeias de minerais críticos

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Ilustração conceitual de minerais, processamento, energia, ferrovia, porto, água e conexões globais
Infraestruturas de apoio a cadeias minerais em ilustração editorial original produzida com inteligência artificial; a cena não representa projeto, mina ou instalação real. Crédito: LAWINFRA/IA.

Acordo prevê apoio coordenado a políticas, projetos e corredores de energia, transporte, água e conectividade. BID já executa cooperação mineral no Brasil.

Os chefes de dez bancos multilaterais de desenvolvimento adotaram neste sábado, 17 de outubro, um marco de colaboração para cadeias de minerais críticos. A decisão foi registrada em declaração conjunta divulgada após reunião na sede do Banco Asiático de Desenvolvimento, em Manila.

Infraestrutura entra no desenho da cadeia

O marco procura coordenar a atuação das instituições em política e governança, preparação e financiamento de projetos, desenvolvimento de mercados e infraestrutura que permita agregar valor aos minerais. A relação inclui energia, transporte, logística, água e conectividade digital, além de corredores regionais que liguem mineração, processamento e indústria.

Participam do grupo, entre outros, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Africano de Desenvolvimento, Banco Europeu de Investimento, Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e Novo Banco de Desenvolvimento.

A adoção não cria uma linha única de crédito nem aprova automaticamente operações. Cada instituição mantém seus mandatos e procedimentos. O desenho prevê coordenação, operações conjuntas quando cabíveis, instrumentos de redução de risco, garantias e mobilização de capital privado. Um grupo de trabalho deverá acompanhar a implementação e reportar o progresso anualmente aos chefes dos bancos.

BID já executa cooperação geológica no Brasil

A ligação concreta com o Brasil passa pelo BID, integrante do acordo. O banco mantém em implementação a cooperação técnica BR-T1690, de US$ 890 mil, para ampliar o conhecimento geológico de potenciais depósitos de lítio, grafite e terras raras no país. A operação apoia mapas de favorabilidade e o fortalecimento da governança do mapeamento geológico; não financia, por si só, uma mina ou planta de processamento.

O BID também afirma que sua iniciativa regional para minerais já apoia o Brasil com informação geológica e planejamento. O novo marco pode facilitar a coordenação entre essa etapa de conhecimento e futuras necessidades de infraestrutura, desde que projetos específicos sejam estruturados, avaliados e aprovados.

No Brasil, a agenda encontra uma política nacional recém-criada e um portal público da Agência Nacional de Mineração. Esses instrumentos organizam prioridades e dados, mas ainda será necessário definir projetos, responsabilidades, licenciamento, salvaguardas e fontes de receita capazes de sustentar investimentos.

O que precisa acontecer para virar investimento

Para governos e investidores, o ponto relevante é a tentativa de aproximar infraestrutura e política mineral desde a preparação. Uma cadeia de maior valor agregado depende de energia, água, acessos logísticos, tecnologia, capacidade industrial e regras previsíveis. A disponibilidade de minerais, isoladamente, não demonstra viabilidade econômica ou socioambiental.

Na avaliação do LAWINFRA, o próximo marco verificável será a publicação de operações conjuntas ou instrumentos de financiamento associados ao novo arranjo. Até lá, a adoção deve ser tratada como uma estrutura de cooperação com potencial de orientar projetos, não como compromisso de desembolso para o Brasil.