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ANM lança portal com 129 mil empregos e avanço de 485% em terras raras

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Ilustração editorial de mina a céu aberto integrada a mapas e painéis de dados sobre minerais críticos
O portal combina bases econômicas, geográficas e trabalhistas sobre minerais críticos e estratégicos. Ilustração conceitual original: LAWINFRA/IA; não representa uma mina ou tela específica da ANM.

Nova plataforma reúne dados econômicos e geográficos de 24 substâncias. Autorizações de pesquisa cresceram, mas o país ainda tem só quatro áreas de lavra de terras raras em atividade.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) lançou nesta quarta-feira, 14 de outubro, o Portal de Minerais Críticos e Estratégicos. A plataforma reúne mapas, painéis e arquivos para download sobre 24 substâncias consideradas relevantes para a transição energética, a segurança alimentar, a indústria e a defesa. O objetivo é organizar dados que estavam distribuídos em diferentes bases públicas e facilitar a comparação entre reservas, pesquisa, produção, comércio exterior, arrecadação e emprego.

O portal consolida informações da própria ANM e de fontes como o Serviço Geológico do Brasil, a Secretaria de Comércio Exterior e as bases de emprego RAIS e Caged. A abertura dos dados pode reduzir o custo inicial de análise para governos, investidores, pesquisadores e comunidades. Ela não substitui a verificação dos processos minerários, o licenciamento ambiental nem a avaliação econômica de cada projeto.

Emprego e qualificação em 2025

Segundo a ANM, atividades ligadas aos minerais críticos e estratégicos mantinham 129.423 empregos formais em 2025. O contingente correspondia a 57% dos 226.634 postos da indústria extrativa mineral. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos desse grupo cresceu 8,6%.

A base também detalha o perfil da força de trabalho. Havia 51.714 empregados classificados como qualificados, dos quais 30.707 tinham ensino superior. As mulheres ocupavam 28.658 postos, ou 22% do total. Parauapebas, no Pará, Nova Lima e Congonhas, em Minas Gerais, lideravam o emprego municipal ligado a essas substâncias.

As remunerações medianas informadas pela agência variavam conforme a escolaridade: R$ 3.218,08 para trabalhadores com ensino fundamental, R$ 4.142,24 para ensino médio e R$ 11.856,16 para ensino superior. Os valores ajudam a dimensionar a atividade, mas não demonstram por si sós a distribuição territorial da renda, a qualidade de todos os postos nem os efeitos locais de novos empreendimentos.

Pesquisa de terras raras cresce, mas produção ainda é pequena

O maior crescimento apresentado pelo portal está nas terras raras. O número de autorizações de pesquisa aumentou 485,4% entre 2021 e 2025. Esse avanço indica interesse exploratório, não produção na mesma escala. A ANM registra 3.067 áreas em fase de pesquisa e 78 com relatório final aprovado ou pedido de concessão de lavra, além de 75 localidades com potencial mineral identificado.

A distância entre pesquisa e operação aparece nos dados de lavra. Apenas quatro áreas produtoras de terras raras estavam em atividade, todas em Goiás. Em 2025, o país produziu 326 toneladas de concentrado de óxidos de terras raras. As exportações somaram US$ 14,9 milhões, enquanto as importações de produtos transformados alcançaram US$ 30,6 milhões.

Autorizações não equivalem a projetos em operação

Para chegar à produção, cada projeto precisa atravessar confirmação geológica, estudos econômicos, licenciamento, infraestrutura, financiamento e autorização de lavra. Por isso, o volume de requerimentos e autorizações deve ser lido como um funil de projetos, não como carteira contratada de investimentos. O portal poderá ser mais útil se permitir acompanhar a passagem de cada área pelas sucessivas etapas.

Política nacional ainda depende de nova lista

A iniciativa foi apresentada após a sanção da Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026, que criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lista oficial a ser definida no novo arranjo ainda não foi publicada. Enquanto isso, a plataforma utiliza a relação da Resolução MME nº 2/2021 e critérios técnicos complementares.

O que acompanhar

Para investidores e formuladores de políticas, o ganho imediato é de transparência e comparabilidade. Os próximos marcos são a atualização regular das bases, a definição da nova lista oficial, a qualidade dos dados por projeto e a evolução das áreas de pesquisa para operações licenciadas e financiadas. Esses passos mostrarão se o aumento do interesse se converte em capacidade produtiva e em cadeias industriais no país.