Como Itaipu ajuda a reduzir o custo da energia para o consumidor

Diretor financeiro executivo da Itaipu explica por que a quitação da dívida, o custo competitivo da energia e a capacidade de resposta da usina ajudam a conter tarifas e a dar estabilidade ao sistema elétrico.
Entrevista na íntegra
A expansão das fontes renováveis mudou a forma como a Itaipu Binacional participa do sistema elétrico brasileiro. Além de produzir grande quantidade de energia, a hidrelétrica passou a ter papel cada vez mais importante na segurança e na estabilidade da rede, especialmente nos momentos em que a geração solar diminui. A avaliação é de André Pepitone da Nóbrega, diretor financeiro executivo da Itaipu Binacional, em entrevista à Times Brasil | CNBC durante o LAWINFRA Summit Brasília 2026.
Na conversa, Pepitone explicou que a contribuição da usina para o consumidor combina dois efeitos. O primeiro é econômico: a energia de Itaipu chega às distribuidoras por valor inferior ao preço médio praticado no Ambiente de Contratação Regulada. O segundo é operativo: a capacidade de ajustar a produção ajuda o sistema a responder às variações de fontes como solar e eólica.
A entrevista integra a cobertura especial da Times Brasil | CNBC em parceria com o LAWINFRA. Pepitone relacionou a modicidade tarifária à reorganização financeira da binacional e à função que uma hidrelétrica de grande porte exerce em uma matriz com participação crescente de fontes intermitentes.
A quitação da dívida mudou a estrutura de custos
A quitação, em 2023, da dívida contraída para a construção da usina retirou um componente relevante da estrutura histórica de custos de Itaipu. A mudança abriu espaço para que a tarifa da energia produzida pela binacional passasse a refletir uma condição financeira diferente daquela que vigorou durante o período de amortização do empreendimento.
Pepitone destacou que esse novo cenário permite oferecer energia em patamar competitivo. Como parte da energia de Itaipu é destinada às distribuidoras, seu custo compõe a cesta de contratos considerada na formação das tarifas. Quando esse suprimento fica abaixo da média do mercado regulado, contribui para reduzir a pressão sobre o custo de compra de energia.
O efeito, porém, não deve ser interpretado como um desconto automático e isolado na conta de luz. A tarifa final também reúne transmissão, distribuição, encargos, tributos e outros contratos de energia. A contribuição de Itaipu aparece na composição desse conjunto e chega ao consumidor por meio dos processos tarifários aplicáveis a cada distribuidora.
Um novo papel em uma matriz mais variável
Ao mesmo tempo, a transformação da matriz elétrica elevou a importância operativa da hidrelétrica. A geração solar cresce durante o dia e cai rapidamente no fim da tarde. A produção eólica também varia conforme as condições do vento. Essas oscilações exigem fontes capazes de aumentar ou reduzir a entrega de energia em pouco tempo para manter o equilíbrio entre oferta e consumo.
Itaipu pode apoiar esse equilíbrio ao modular sua geração conforme a necessidade do Sistema Interligado Nacional. A flexibilidade não coloca a hidrelétrica em oposição às novas fontes renováveis. Ao contrário, ajuda a integrá-las com segurança, oferecendo potência e estabilidade nos períodos em que a produção variável diminui.
Na avaliação apresentada na entrevista, a diversificação da matriz torna a usina ainda mais relevante. Quanto maior a presença de fontes dependentes do sol e do vento, maior a necessidade de coordenação pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico e de ativos capazes de responder às mudanças de carga e geração.
Como o benefício chega ao consumidor
Para as distribuidoras, a energia de Itaipu influencia o custo médio do portfólio adquirido para atender consumidores cativos. Um preço competitivo pode aliviar a parcela de compra de energia reconhecida nas tarifas, embora o resultado final dependa dos demais componentes de cada processo de reajuste ou revisão.
Para o consumidor, o benefício combina modicidade e segurança. A energia mais barata ajuda a conter custos, enquanto a capacidade de resposta da usina reduz riscos operativos e a necessidade de soluções emergenciais potencialmente mais caras. A contribuição deve ser analisada dentro do funcionamento integral do setor elétrico, e não como resultado de um único contrato.
Pepitone também situou esse papel no contexto binacional e de longo prazo de Itaipu. Decisões financeiras, comerciais e operativas precisam considerar a governança entre Brasil e Paraguai, as condições do Tratado de Itaipu e a evolução do sistema elétrico dos dois países. Assista acima à entrevista completa concedida à Times Brasil | CNBC durante o LAWINFRA Summit Brasília 2026.
