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Gás russo ainda atende 12% da demanda da União Europeia

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Ilustração editorial de gasodutos e terminal de GNL conectados à infraestrutura energética europeia
A eliminação gradual do gás russo exige substituir contratos e fluxos sem comprometer armazenamento, transporte e segurança de abastecimento. Imagem editorial produzida com inteligência artificial; não retrata terminal, gasoduto, navio ou rota específicos. Crédito: LAWINFRA/IA.

Relatório regulatório identifica contratos de longo prazo e aumento das importações no início de 2026; proibição completa está prevista apenas para novembro de 2027.

O gás de origem russa ainda responde por aproximadamente 12% da demanda da União Europeia, embora o bloco já tenha iniciado o cronograma jurídico para eliminar essas importações. O dado consta do primeiro relatório de monitoramento da Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER) sobre a transição prevista no Regulamento REPower Gas.

Proibição será concluída somente em 2027

A regra europeia adota uma retirada por etapas, e não uma interrupção imediata. As primeiras restrições começaram em março de 2026, alcançando contratos de curto prazo de gás natural liquefeito (GNL) e de gás transportado por dutos em datas distintas. A proibição integral está programada para novembro de 2027. Até lá, contratos autorizados e hipóteses transitórias continuam produzindo fluxos físicos e obrigações comerciais.

Contratos ainda somam dezenas de bilhões de metros cúbicos

A ACER identificou contratos de longo prazo de GNL russo equivalentes a 20 bilhões a 32 bilhões de metros cúbicos por ano, com desembarques em Espanha, França, Bélgica e Países Baixos. Para o gás por dutos, contratos anuais autorizados somam de 16 bilhões a 26 bilhões de metros cúbicos e permanecem associados a Hungria, Eslováquia e Grécia.

Os volumes contratados não permitem saber onde o combustível será consumido. Depois de entrar no mercado integrado europeu, o gás pode ser comercializado e transportado por diferentes interconexões. Por isso, o país de desembarque de uma carga de GNL ou o ponto de entrada de um gasoduto não identifica necessariamente o consumidor final nem mede, isoladamente, a dependência de cada Estado-membro.

Importações cresceram no início da transição

Os dados iniciais mostram que a transição regulatória ainda não produziu queda uniforme. Entre janeiro e maio de 2026, as importações russas por dutos cresceram 7% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as de GNL avançaram 11%. Considerando apenas o intervalo entre a entrada em vigor do regulamento, em 18 de março, e o fim de maio, o GNL subiu 17% e o gás por dutos, 5%.

A Agência atribui o aumento do GNL a uma combinação de entregas antecipadas antes das restrições mais severas, ajustes contratuais e cargas que antes seriam transbordadas para outros destinos, mas permaneceram na União Europeia após a proibição desse tipo de operação. O contexto geopolítico e a busca por oferta alternativa depois do fechamento do Estreito de Ormuz também influenciaram o comportamento dos compradores.

Primeiro efeito aparece na rota pela Turquia

Já existe um sinal localizado de efeito da nova regra: os fluxos pelo ponto Strandzha 1, na fronteira entre Turquia e Bulgária, caíram 65% na comparação anual entre 18 de março e o fim de maio. A redução, porém, não deve ser projetada automaticamente sobre toda a rede. Rotas, contratos, capacidade de terminais e necessidades de cada país são diferentes.

Diversificação depende de terminais, redes e estoques

A retirada do gás russo é, portanto, uma operação de infraestrutura e de mercado, além de uma decisão política. A União Europeia precisa substituir moléculas e contratos, contratar GNL de outras origens, usar terminais de regaseificação, reforçar interconexões e recompor estoques antes do inverno. Se a diversificação não acompanhar o calendário jurídico, o risco pode aparecer em preços, segurança de abastecimento ou competição entre países pela mesma oferta.

Cronograma regulatório também produz risco contratual

O relatório também revela uma questão contratual. A existência de contratos de longo prazo não significa, por si só, descumprimento da proibição: o regulamento contém etapas e autorizações transitórias. Empresas e autoridades precisarão separar origem, duração, data de celebração, rota e destino de cada operação, além de tratar os efeitos da proibição sobre obrigações de compra, transporte e acesso a terminais.

Novo relatório deverá medir o efeito completo

A ACER considera prematuro medir o resultado final porque a maior parte das restrições ainda não estava plenamente aplicada no período analisado. A Agência deverá publicar novo relatório em 2027. Os próximos pontos de controle são a redução efetiva dos contratos autorizados, a substituição das rotas russas, o nível dos estoques, a disponibilidade de GNL alternativo e a entrada em vigor das proibições integrais no próximo ano.