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UE propõe selo de energia e água para data centers acima de 500 kW

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Ilustração editorial de data center conectado à rede elétrica, a circuito de água e ao reaproveitamento de calor em edifícios urbanos
A proposta relaciona eficiência do data center, pressão sobre a rede, uso de água e aproveitamento de calor. Ilustração editorial exclusiva produzida por inteligência artificial; não retrata instalação, empresa ou local reais. Crédito: LAWINFRA/IA.

Operadores terão de divulgar indicadores de eficiência, estresse hídrico local e reaproveitamento de calor se a medida entrar em vigor; a proposta não fixa limites de consumo.

A Comissão Europeia propôs nesta segunda-feira, 21 de setembro, um sistema de classificação para tornar comparáveis a eficiência energética e o uso de água de data centers no bloco. A medida alcança instalações com capacidade de pelo menos 500 quilowatts (kW), equivalentes a 0,5 megawatt (MW), e ainda poderá receber objeções antes de entrar em vigor.

Pela proposta, os operadores deverão divulgar indicadores sobre energia e água, informar como o consumo hídrico se relaciona com o nível de estresse de cada localidade e indicar se a instalação pode prestar serviços ao sistema energético. Entre os exemplos está o reaproveitamento do calor produzido pelos servidores para aquecer edifícios ou atender outros usos próximos.

O desenho combina obrigação de fornecer dados com um selo europeu de desempenho. A classificação pode permitir que autoridades, consumidores, investidores e comunidades comparem instalações por critérios comuns, em vez de dependerem apenas de anúncios empresariais ou métricas calculadas de maneiras diferentes.

Transparência não equivale a limite de consumo

A proposta não estabelece teto para o consumo de eletricidade ou água e, segundo a Reuters, tampouco exige a divulgação do consumo total de energia de cada instalação. Portanto, o fato regulatório é a criação de transparência padronizada, não uma proibição de novos projetos nem uma meta compulsória de redução.

Essa distinção é importante porque um selo pode revelar diferenças de desempenho sem determinar sozinho onde um empreendimento será autorizado ou quanto poderá consumir. Licenciamento, conexão à rede, disponibilidade de água e eventuais exigências ambientais continuam dependentes das regras e decisões aplicáveis em cada país e localidade.

A Comissão Europeia poderá usar os dados para desenvolver padrões mínimos obrigatórios no futuro. Essa etapa ainda não ocorreu. Uma avaliação sobre possíveis requisitos de desempenho está prevista para avançar até 2027, o que separa a obrigação de medir e informar da eventual definição posterior de patamares mínimos.

Pressão simultânea sobre eletricidade e água

Os data centers respondem por cerca de 2,5% do consumo de eletricidade da União Europeia. A capacidade instalada, estimada em 12 gigawatts (GW) no ano passado, pode chegar a 28 GW em 2030. A projeção indica expansão superior ao dobro em cinco anos e ajuda a explicar por que eficiência, localização e integração à rede passaram a receber tratamento regulatório conjunto.

O consumo de água varia conforme a tecnologia de resfriamento, o clima e a configuração do empreendimento. Ao relacionar o indicador hídrico ao estresse local, a proposta procura evitar que o mesmo volume seja avaliado de forma idêntica em regiões com disponibilidades muito diferentes. O dado, porém, não substitui estudos de impacto nem garante acesso ao recurso.

O aproveitamento de calor também depende de condições concretas. É necessário haver consumidores próximos, redes capazes de transportar a energia térmica, contratos e demanda compatível ao longo do ano. A obrigação de informar a capacidade técnica não significa que o calor já esteja sendo recuperado ou que o investimento seja economicamente viável em qualquer local.

O que a experiência europeia sinaliza para o Brasil

Para o Brasil, a proposta europeia oferece uma referência de desenho regulatório num momento em que projetos digitais pressionam o planejamento elétrico e levantam questões sobre disponibilidade de água. O modelo separa três decisões: medir de forma comparável, divulgar os resultados e, somente depois de avaliação adicional, considerar padrões mínimos.

Essa sequência pode ajudar reguladores e licenciadores brasileiros a exigir informações úteis sem confundir transparência com autorização automática. Também permite que investidores comparem eficiência e riscos locacionais, enquanto concessionárias de energia e prestadores de saneamento conseguem estimar com mais precisão a demanda criada por novos empreendimentos.

A experiência não se aplica automaticamente ao Brasil. Qualquer obrigação nacional precisaria de base jurídica própria, definição da autoridade competente, metodologia verificável e coordenação entre política digital, energia, recursos hídricos, saneamento e licenciamento ambiental.

Próximas etapas

O Parlamento Europeu e os países da União Europeia terão dois meses para apresentar objeções. Sem contestação, a medida poderá entrar em vigor. Depois disso, os pontos centrais para acompanhar serão o calendário de implantação, a metodologia final do selo, a qualidade dos dados publicados e a eventual conversão das informações em requisitos mínimos de desempenho.