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Sergipe perfura poço e põe barragem do Poxim em alerta hídrico

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Ilustração editorial de poço abastecendo caminhão-pipa diante de reservatório em período seco
Infraestrutura de abastecimento emergencial e reservação em ilustração editorial original produzida com inteligência artificial. A cena é conceitual e reúne sistemas que, na operação real, são distintos. Crédito: LAWINFRA/IA.

Novo poço em Poço Verde reforçará caminhões-pipa, enquanto reservatório que atende Aracaju caiu a 28,6% do volume útil. Medidas tratam de sistemas distintos.

A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) perfurou um poço artesiano em Poço Verde para reforçar o carregamento de caminhões-pipa que atendem comunidades fora da rede formal de distribuição. No mesmo ciclo de resposta à estiagem, o governo estadual colocou a barragem Sindicalista Jaime Umbelino, no rio Poxim-Açu, em situação de alerta após o reservatório cair abaixo de 30% do volume útil.

Poço Verde e Poxim são sistemas distintos

As duas medidas alcançam áreas e sistemas diferentes. O poço fica no centro-sul do estado e deverá apoiar o abastecimento de localidades rurais de Poço Verde e, em situação de emergência, de Tobias Barreto. A barragem do Poxim integra o suprimento da Grande Aracaju. A perfuração, portanto, não recompõe o reservatório nem resolve o risco de abastecimento da capital.

Vazão e início da operação não foram divulgados

Segundo a Deso, o poço anterior usado pelos caminhões não tinha vazão suficiente para a demanda, o que atrasava a distribuição. A nova estrutura foi solicitada pela Defesa Civil estadual no âmbito da sala de situação criada para acompanhar os possíveis efeitos do El Niño 2026–2027. O comunicado não informa a vazão testada, o investimento, a qualidade da água nem a data de início da operação regular.

Poxim caiu a 28,6% do volume útil

No Poxim, o volume chegou a 8,55 milhões de metros cúbicos em 19 de outubro, equivalentes a 28,6% do volume útil. O patamar ficou abaixo do limite de 30% que aciona o estado de alerta. Na mesma data de 2025, a barragem registrava 88% da capacidade útil, ou 26,69 milhões de metros cúbicos.

O reservatório responde por cerca de 30% da água fornecida a Aracaju, segundo o governo estadual. Os outros 70% vêm da Adutora do São Francisco. Essa dependência torna relevante a operação combinada dos mananciais e da infraestrutura de transferência, mas os percentuais divulgados não constituem previsão de racionamento.

Seis reservatórios estão sob monitoramento diário

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac) informou que seis grandes reservatórios são monitorados diariamente com apoio da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A gestão deve priorizar consumo humano e dessedentação animal, ao mesmo tempo em que Deso e Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) fiscalizam as condições físicas das barragens.

Alerta não significa racionamento automático

O alerta é um gatilho de gestão preventiva, não declaração automática de colapso. A duração da estiagem, a recuperação por chuvas, a disponibilidade da Adutora do São Francisco e a evolução da demanda definirão a necessidade de novas restrições. Também faltam no comunicado cenários públicos de autonomia do Poxim sob diferentes vazões de retirada.

Vazão do poço e evolução do reservatório serão os marcos

Os próximos marcos verificáveis são o teste e a entrada em operação do novo poço, os volumes distribuídos por caminhões-pipa, a atualização diária do Poxim e eventual adoção de regras adicionais para captação e consumo. A divulgação de vazão, qualidade da água e cronograma permitirá medir a contribuição efetiva da intervenção em Poço Verde.