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PLS financiará mais de R$ 4 milhões em estudos da barragem de Salinas

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Ilustração editorial de especialistas realizando levantamentos técnicos em barragem de abastecimento no semiárido mineiro
Estudos de segurança, água e meio ambiente em ilustração editorial original produzida por inteligência artificial; a cena não retrata inspeção específica. Crédito: LAWINFRA/IA.

Compromisso divulgado nesta semana prevê EIA, plano de segurança, ação de emergência e ordenamento do entorno. A Copasa continua responsável pela operação; o custeio não transfere fiscalização nem resolve a controvérsia sobre captação para o lítio.

A PLS Brasil Mineração financiará mais de R$ 4 milhões em estudos técnicos e ambientais destinados à regularização da barragem do rio Salinas, no Norte de Minas Gerais. O compromisso integra acordo firmado em junho com participação do Ministério Público de Minas Gerais, da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e de órgãos estaduais, cujos termos foram divulgados nesta semana.

Reservatório atende Salinas e Rubelita

O reservatório armazena cerca de 92 milhões de metros cúbicos, fica a aproximadamente 3,7 quilômetros da área urbana de Salinas e também atende Rubelita. Construída pelo Estado no início da década de 1990, a estrutura ainda depende da conclusão de procedimentos ambientais e de segurança.

Pacote reúne estudos ambientais e planos de segurança

O pacote anunciado reúne Estudo de Impacto Ambiental e Plano de Controle Ambiental; Plano de Segurança da Barragem; Plano de Ação de Emergência; Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório Artificial; análise de critérios locacionais; cadastro de propriedades próximas; e programa de repovoamento de peixes.

Documento entregue não é licença aprovada

Esses documentos cumprem funções diferentes. O estudo ambiental identifica impactos e medidas de controle. O plano de segurança organiza inspeções, responsabilidades e manutenção. O plano de ação de emergência define cenários, alertas e resposta. O plano do entorno disciplina usos e conservação das margens. A entrega dos estudos, por si só, não equivale à aprovação da regularização: os órgãos competentes ainda precisarão analisá-los e decidir sobre exigências, correções e licenças.

Copasa continua responsável pela estrutura

A divisão de responsabilidades é central. A PLS custeará os estudos, mas a operação, a administração e a segurança da barragem permanecem com a Copasa, segundo os termos divulgados. Ministério Público e órgãos estaduais conservam suas competências de acompanhamento e fiscalização. O financiamento privado não transfere à mineradora o poder de licenciar, fiscalizar ou declarar a estrutura regular.

Captação para o lítio permanece controvertida

O compromisso também não encerra a controvérsia sobre o uso da água no Projeto Colina, empreendimento de lítio da PLS a cerca de dez quilômetros de Salinas. Uma outorga do Instituto Mineiro de Gestão das Águas autorizou captação aproximada de 150 mil litros por hora para o beneficiamento mineral. Moradores e organizações locais contestaram a medida e pediram revisão, sob o argumento de que o reservatório é estratégico para o abastecimento humano em região sujeita à escassez.

Outorga exige acompanhamento permanente

A empresa afirmou anteriormente que os estudos de disponibilidade hídrica consideraram a segurança do abastecimento e os usos existentes. A existência de outorga, entretanto, não elimina a necessidade de acompanhar vazões, níveis do reservatório, condições climáticas e prioridades legais de uso. Em situação de escassez, o abastecimento humano e a dessedentação de animais têm prioridade conforme a Política Nacional de Recursos Hídricos.

Financiamento privado pede transparência reforçada

A relação entre regularização da barragem e captação industrial precisa permanecer transparente. Estudos financiados pela beneficiária potencial da água podem produzir informação necessária, mas exigem termos de referência públicos, acesso aos dados brutos, análise técnica independente e decisões motivadas dos órgãos responsáveis para prevenir conflito de interesses real ou percebido.

Acordo, cronograma e dados precisam ser publicados

Os próximos marcos são a divulgação integral do acordo, dos termos de referência e do cronograma; a contratação e execução dos levantamentos; a entrega dos planos; a análise do Igam e dos demais órgãos; e a publicação das decisões. Indicadores de volume armazenado, retirada efetiva, qualidade da água e segurança estrutural serão essenciais para que a sociedade verifique se abastecimento, mineração e conservação são compatibilizados.