PDE 2036 estima R$ 142 bilhões para ampliar biocombustíveis em dez anos

Plano projeta expansão de etanol, biodiesel, biometano e SAF; capacidade adicional de biometano chega a 8,5 milhões de m³ por dia até 2036.
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 estima R$ 142 bilhões em investimentos na cadeia de biocombustíveis entre 2027 e 2036. O caderno setorial divulgado pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética detalha a infraestrutura necessária para etanol, biodiesel, biometano, combustível sustentável de aviação e diesel verde.
SAF, biometano e etanol concentram o investimento
A maior parcela está associada a projetos de combustível sustentável de aviação, o SAF, e diesel verde, com R$ 39 bilhões. O biometano aparece com R$ 31,1 bilhões; etanol de milho e outros cereais, com R$ 25,3 bilhões; e a formação de canaviais, com R$ 24,1 bilhões.
Etanol de milho amplia participação
A oferta de etanol deverá subir de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros. O etanol de milho responderia por 40% do total ao fim do período, enquanto novas unidades e ampliações acrescentariam 9,6 bilhões de litros de capacidade. A projeção de etanol de segunda geração chega a 600 milhões de litros em 2036.
Biodiesel depende da trajetória de mistura
Para o biodiesel, a demanda mandatória alcançaria 12,7 bilhões de litros e a demanda total, 14,7 bilhões, considerando usos voluntários. O cenário-base adota mistura obrigatória de 15%, mas o estudo também testa percentuais entre 13% e 25%, faixa prevista na Lei do Combustível do Futuro.
Biometano exige nova capacidade depois de 2029
No biometano, a capacidade autorizada ou em autorização seria suficiente para a demanda mandatória somente até 2029. Cumprir uma meta de 10% em 2036 exigiria cerca de 8,5 milhões de metros cúbicos diários de capacidade adicional, o que implica novos biodigestores, unidades de purificação, conexões e contratos de escoamento.
Projetos de SAF ainda deixam lacuna
Os projetos anunciados de SAF somariam 1,7 bilhão de litros anuais em 2030 e 3,6 bilhões em 2036. Em média, atenderiam 76% das metas combinadas do programa brasileiro e do mecanismo internacional Corsia durante a década. A diferença entre anúncio e operação mantém risco de execução, financiamento e acesso a matéria-prima.
Estimativa não equivale a investimento contratado
O PDE é um instrumento de planejamento e não garante que os investimentos serão contratados. As estimativas dependem de regras, preços, demanda, licenciamento e decisões empresariais. A consulta pública segue até 6 de novembro, quando agentes podem questionar premissas e propor ajustes antes da versão final.
