Reduzir lacuna de infraestrutura pode elevar exportações latino-americanas em 30%

OCDE, Cepal, CAF e Comissão Europeia estimam necessidade anual de 3,1% do PIB até 2030, ante investimento de 1,5% em 2023; capítulo brasileiro destaca corredores e concessões.
Reduzir pela metade a lacuna de infraestrutura da América Latina e do Caribe em relação às economias avançadas poderia aumentar as exportações regionais em até 30%. A estimativa integra o Latin American Economic Outlook 2026, publicado nesta quarta-feira, 4 de novembro, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), pelo CAF e pela Comissão Europeia.
Região investe metade da necessidade estimada
O relatório calcula que a região precisa investir aproximadamente 3,1% do produto interno bruto por ano em infraestrutura até 2030 para atender às necessidades de desenvolvimento. O investimento efetivo ficou em 1,5% do PIB em 2023. A diferença evidencia a necessidade de ampliar capital e qualidade de execução num contexto de espaço fiscal limitado.
Logística fragmentada limita o comércio
As perdas não decorrem apenas da quantidade de obras. Redes de transporte fragmentadas, baixa integração multimodal, serviços aduaneiros e logísticos deficientes e conectividade aérea e ferroviária restrita aumentam custos e prazos. O relatório propõe combinar corredores, portos, fronteiras, produção, logística digital e gestão aduaneira numa estratégia única.
Integração regional continua baixa
O comércio dentro da própria região ainda representava 14% das exportações latino-americanas em 2024, abaixo dos 18% observados em 2000. Para a OCDE e os coautores, infraestrutura transfronteiriça, regras interoperáveis e mercados integrados de eletricidade, serviços digitais e finanças podem ampliar escala, resiliência e participação em cadeias de valor.
Estimativa não garante retorno automático
A estimativa de 30% é um cenário regional baseado na redução da lacuna com países avançados. Ela não significa que qualquer aumento de gasto produzirá retorno proporcional. Seleção de projetos, custo, prazo, manutenção, demanda, governança e integração física definem se uma obra reduz efetivamente o custo de comércio.
Brasil aparece com cinco rotas de integração
No capítulo dedicado ao Brasil, o documento destaca cinco Rotas de Integração e Desenvolvimento Sul-Americano, inclusive o Corredor Bioceânico de Capricórnio, destinado a conectar centros produtivos brasileiros a portos do Pacífico por Paraguai e Argentina. Também registra a expansão de concessões e parcerias público-privadas em rodovias, portos, aeroportos, hidrovias e infraestrutura urbana.
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Projetos precisam funcionar como rede
A utilidade prática para a carteira brasileira está em avaliar projetos como rede, e não como ativos isolados. Uma rodovia sem fronteira eficiente, ferrovia sem terminal ou porto sem acesso terrestre pode deslocar o gargalo em vez de eliminá-lo. O ganho de exportação depende da continuidade física e regulatória do corredor.
Bancos de desenvolvimento podem mobilizar capital
O relatório aponta bancos nacionais e multilaterais de desenvolvimento como instrumentos para preparar projetos, compartilhar riscos e mobilizar capital privado. O financiamento precisa preservar sustentabilidade da dívida e disciplina de seleção, especialmente quando a execução atravessa diferentes governos e países.
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Indicadores de corredor serão o teste
Os próximos marcos verificáveis são os cronogramas e contratos das rotas sul-americanas, a coordenação entre países, os mecanismos de financiamento e os indicadores de custo logístico, tempo de fronteira e confiabilidade. São esses resultados, e não apenas o volume anunciado, que permitirão medir a redução da lacuna.
