Klabin eleva receita a R$ 5,6 bilhões, mas Ebitda cai 12% no 3º trimestre

Receita avançou 3% com preços maiores; custos por tonelada subiram 12% e comprimiram a margem Ebitda ajustada a 33%. Investimentos somaram R$ 754 milhões.
A Klabin registrou receita líquida de R$ 5,566 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 3% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado recuou 12%, para R$ 1,856 bilhão, e a margem caiu de 39% para 33%. O resultado combina preços e mix mais favoráveis com pressão maior de custos e do câmbio sobre a operação.
Lucro e volume recuam ou ficam estáveis
O lucro líquido somou R$ 393 milhões, queda anual de 18%. O volume vendido, excluída madeira, ficou praticamente estável em 1,064 milhão de toneladas. Segundo a companhia, os preços maiores sustentaram o avanço da receita, enquanto a valorização do real frente ao dólar reduziu parte do efeito nas exportações.
Preços ajudam, mas não preservam a margem
Na composição comercial, a Klabin destacou crescimento de 23% no volume exportado de cartões, alta de 9% nos preços em dólar do containerboard e elevação de 4% nos preços de papelão ondulado. Esses movimentos ajudaram os segmentos de papéis e embalagens, mas não foram suficientes para preservar a margem consolidada.
Custo por tonelada sobe 12%
O custo caixa total por tonelada alcançou R$ 3.483, aumento de 12% em um ano. O release atribui R$ 111 por tonelada a medidas preventivas para mitigar impactos do El Niño e R$ 66 por tonelada ao encarecimento de insumos, químicos e fretes associado ao ambiente geopolítico. A empresa também informa ganho de R$ 13 milhões com iniciativas de eficiência.
A geração de caixa medida pelo Ebitda ajustado menos o capex de manutenção ficou em R$ 1.064 por tonelada, 29% abaixo do terceiro trimestre de 2025. A Klabin relaciona a redução ao desempenho operacional e ao aumento do investimento de manutenção, com destaque para a modernização da caldeira de recuperação da unidade de Monte Alegre.
Capex chega a R$ 754 milhões
Os investimentos totalizaram R$ 754 milhões no trimestre, avanço anual de 36%. Foram R$ 293 milhões em silvicultura e compra de madeira em pé, R$ 340 milhões em continuidade operacional, R$ 103 milhões na modernização de Monte Alegre e R$ 18 milhões em projetos especiais. Nos nove primeiros meses, o capex chegou a R$ 2,25 bilhões.
O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 73 milhões. Excluídos dividendos e projetos especiais e de expansão, a métrica ajustada somou R$ 368 milhões. A formação de estoques de segurança de madeira para o quarto trimestre consumiu capital de giro e integra a estratégia declarada pela empresa para reduzir riscos climáticos.
Alavancagem fica em 3,3 vezes
A dívida líquida encerrou setembro em R$ 23,977 bilhões. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado ficou em 3,3 vezes em dólar, 0,1 vez acima do trimestre anterior e 0,3 vez abaixo de um ano antes. O indicador em reais também ficou em 3,3 vezes.
Custos e execução industrial entram no radar
Os próximos sinais virão do comportamento dos custos associados ao El Niño, da execução da modernização de Monte Alegre, do ritmo de vendas de papéis e embalagens e da capacidade de recompor margens sem interromper os investimentos industriais e florestais. A teleconferência de resultados está marcada para 29 de outubro, às 11h, no horário de Brasília.
