AIE projeta 4.800 GW renováveis até 2031 e desaceleração no Brasil

Solar responderá por três quartos da expansão mundial; gargalos de rede, financiamento e licenciamento limitam o ritmo em mercados maduros.
A capacidade renovável mundial deverá crescer quase 4.800 gigawatts entre 2026 e 2031, segundo relatório publicado nesta sexta-feira, 6, pela Agência Internacional de Energia. O volume é cerca de 60% maior do que o adicionado nos seis anos anteriores e responderá por mais de 80% de toda a nova capacidade elétrica global.
Solar concentra três quartos da expansão
A energia solar deverá concentrar três quartos da expansão. A AIE projeta 2.075 GW adicionais em grandes usinas e 1.530 GW em sistemas distribuídos. A velocidade depende de redes, conexão, financiamento, licenciamento e cadeias de equipamentos, além do custo dos projetos.
Brasil perde ritmo após o pico de 2026
Na América Latina, as adições anuais permanecerão acima da média histórica, mas cairão depois do pico de 2026. O relatório atribui parte da desaceleração regional a um crescimento mais lento no Brasil, enquanto México, Chile e Colômbia permanecem relativamente estáveis.
Rede e conexão limitam a comparação
O diagnóstico é útil para o Brasil porque a expansão contratada e projetada convive com cortes de geração, filas de conexão e necessidade de transmissão e armazenamento. A projeção internacional não mede, por si só, o volume que entrará em operação no país nem distribui responsabilidades por restrições específicas.
Emergentes igualam países desenvolvidos
Fora da China, as adições anuais deverão crescer 27% entre 2025 e 2031. Pela primeira vez, economias emergentes e em desenvolvimento fora do mercado chinês deverão igualar o avanço dos países desenvolvidos, com aceleração puxada por segurança energética e redução da exposição a combustíveis importados.
Transmissão e armazenamento serão decisivos
Para o mercado brasileiro, os próximos pontos de controle são a contratação e execução de transmissão, regras de conexão, solução para cortes de geração, leilões de baterias, custo de capital e conversão da carteira renovável em projetos operacionais.
