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IEA vê disputa por cargas de GNL até 2027 com estoques europeus no menor nível desde 2013

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Ilustração editorial de navio metaneiro em terminal de GNL conectado a rotas marítimas globais
Terminal de gás natural liquefeito e rotas de suprimento em ilustração editorial produzida com inteligência artificial. A cena é fictícia. Crédito: LAWINFRA/IA.

Relatório projeta queda de 3% da oferta mundial de GNL em 2026 e aponta competição com importadores da América do Sul. Efeito no Brasil dependerá de despacho térmico, contratos e capacidade de regaseificação.

A Europa inicia a temporada de aquecimento de 2026-2027 com os menores estoques de gás natural desde 2013, segundo o Global Gas Security Review 2026, publicado nesta terça-feira, 3 de novembro, pela Agência Internacional de Energia (IEA). A recomposição dos inventários pode prolongar a disputa mundial por cargas flexíveis de gás natural liquefeito (GNL) até 2027.

Oferta de GNL deve cair quase 20 bilhões de metros cúbicos

A IEA projeta redução de 3% da oferta global de GNL em 2026, equivalente a quase 20 bilhões de metros cúbicos. O choque está associado à interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, que reduziu em mais de 60 bilhões de metros cúbicos os carregamentos de Catar e Emirados Árabes Unidos entre março e outubro.

Demanda também recua, mas risco de picos permanece

Do lado da demanda, a agência estima queda mundial de aproximadamente 1,5%, ou quase 65 bilhões de metros cúbicos. A retração decorre de destruição de demanda no Oriente Médio, menor consumo industrial europeu e substituição de gás por carvão na geração de eletricidade em países asiáticos. A queda do consumo ajuda a equilibrar o mercado, mas não elimina o risco de picos de preço.

América do Sul disputa cargas flexíveis

A combinação de baixos estoques europeus com opções limitadas de armazenamento em países importadores de GNL na Ásia e na América do Sul pode intensificar a competição por cargas com destino flexível. Um inverno mais frio, falhas técnicas ou novas interrupções de oferta ampliariam essa pressão, especialmente no mercado à vista.

Veja o acompanhamento anterior dos estoques europeus →

Exposição brasileira depende do despacho térmico

Para o Brasil, a exposição não é uniforme. Ela depende do volume de geração termelétrica necessário para complementar hidrelétricas e renováveis, dos contratos de suprimento das usinas, da disponibilidade dos terminais de regaseificação e da possibilidade de substituir combustíveis. Uma alta internacional não se transfere automaticamente, na mesma proporção, para todas as tarifas de energia ou preços domésticos de gás.

Contratos reduzem, mas não eliminam o risco

O país tem terminais de GNL e usinas que podem ampliar o despacho em condições de escassez hídrica ou necessidade operativa. Se a contratação adicional ocorrer em mercado apertado, o custo marginal pode subir. Contratos de longo prazo e cargas já asseguradas reduzem a exposição imediata, mas não isolam completamente a cadeia de reajustes, indisponibilidades ou renegociações.

Indicadores para 2027

Os próximos indicadores são a evolução diária dos estoques europeus, o restabelecimento dos carregamentos pelo Estreito de Ormuz, o volume de cargas flexíveis e os preços spot. No Brasil, devem ser acompanhados o despacho térmico, o nível dos reservatórios, a disponibilidade de terminais e as decisões de contratação de combustível para 2027.