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Produção cresce mais que reservas e reduz relação R/P do petróleo a 12,7 anos, aponta EPE

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Ilustração editorial de navio-sonda, plataforma e reservatórios submarinos com elementos gráficos de monitoramento
Exploração, produção e reposição de reservas em composição editorial conceitual produzida com inteligência artificial; a cena não representa instalações ou campos específicos. Crédito: LAWINFRA/IA.

Informe de 2026 registra produção recorde de 4,897 milhões de boe por dia em 2025 e alerta para a necessidade de repor reservas, apesar da recuperação da perfuração exploratória.

A produção brasileira de petróleo e gás cresceu mais rapidamente que as reservas provadas em 2025 e reduziu os indicadores de sustentação da atividade no longo prazo. O diagnóstico consta da edição de 2026 do Informe de Monitoramento da Política de Exploração e Produção (E&P), publicada nesta quarta-feira, 7 de outubro, pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Produção recorde e peso do pré-sal

Segundo o documento, as reservas provadas chegaram a 17,5 bilhões de barris de petróleo e 573 bilhões de metros cúbicos de gás natural. A produção nacional atingiu o recorde de 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia, cerca de 13% acima de 2024, com 79,63% do volume vindo do pré-sal.

Reposição supera 100%, mas perde fôlego

Como a produção avançou em ritmo superior à incorporação de reservas, a relação reserva/produção (R/P) caiu para 12,7 anos no petróleo e 19,2 anos no gás natural. O Índice de Reposição de Reservas (IRR) de petróleo e gás também recuou, de 172% em 2024 para 146% em 2025. Um IRR superior a 100% indica que o volume incorporado às reservas ainda superou o produzido, mas a redução mostra perda de folga em comparação com o ano anterior.

R/P não é prazo de esgotamento

A relação R/P não é uma contagem regressiva para o esgotamento das reservas. O indicador divide o estoque provado pela produção anual observada e muda com novas descobertas, revisões técnicas e econômicas, investimentos, preços e ritmo de produção. Seu valor regulatório e empresarial está em sinalizar a necessidade de manter a exploração e a incorporação de volumes comercialmente recuperáveis.

Perfuração exploratória quase dobra

O informe identifica uma recuperação parcial da atividade exploratória. Foram perfurados 19 poços exploratórios em blocos sob contrato em 2025, ante dez em 2024. Dez estavam no mar e nove em terra. Treze perfurações resultaram em notificações de descoberta, o equivalente a uma taxa de sucesso de 68%, segundo a EPE.

Descoberta ainda não é projeto

A retomada, porém, ainda precisa ser convertida em reservas e projetos. Perfuração e notificação de descoberta não equivalem, por si só, a declaração de comercialidade ou decisão final de investimento. Avaliação geológica, delimitação, viabilidade econômica, licenciamento e infraestrutura de escoamento permanecem entre as etapas que condicionam o aproveitamento de cada acumulação.

Exportação alcança 1,9 milhão de barris por dia

No comércio exterior, o Brasil exportou média recorde de 1,9 milhão de barris de petróleo por dia em 2025, aproximadamente 10% acima do ano anterior. A China respondeu por cerca de 45% do volume. O país manteve participação próxima de 5% nos investimentos mundiais em E&P, de acordo com a síntese da EPE.

O que acompanhar nos próximos ciclos

Para empresas, investidores e formuladores de política, o próximo teste é transformar a ampliação das áreas sob contrato e o retorno da perfuração em reservas capazes de sustentar a produção. Os ciclos de oferta, os programas exploratórios, as declarações de comercialidade e os planos de desenvolvimento permitirão medir se a recuperação observada em 2025 melhora os indicadores nas próximas edições.