LAWINFRATODAS AS NOTÍCIAS →

Petrobras, PRIO e grupos estrangeiros levam sete blocos do pré-sal em leilão da ANP

COMPARTILHE
Ilustração de navio-plataforma e petroleiro em ambiente offshore ao pôr do sol
Composição editorial ilustrativa de operações offshore, produzida com inteligência artificial. A imagem não representa os blocos arrematados. Crédito: Acervo LAWINFRA/IA.

Áreas ficam nas bacias de Campos e Santos; cada bloco arrematado recebeu uma única proposta, enquanto outros seis ficaram sem ofertas.

Petrobras, PRIO, Equinor, Galp e o consórcio formado pelas chinesas CNOOC e Sinopec ficaram com sete dos 13 blocos exploratórios oferecidos nesta quarta-feira (7) no leilão do pré-sal promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a cobertura do UOL, todas as áreas arrematadas receberam proposta única. Quatro ficam na Bacia de Santos e três na Bacia de Campos.

O resultado reúne dois indicadores distintos: pouco mais da metade das áreas encontrou interessados e, entre as arrematadas, nenhuma recebeu propostas concorrentes. O número de ofertas, porém, é apenas uma dimensão da avaliação. Também importam as condições econômicas assumidas pelos vencedores e os compromissos associados à exploração.

Quem ficou com cada bloco

O quadro permite identificar cada área e seus arrematantes, conforme a cobertura do UOL. A Galp participa do resultado por meio do consórcio com a Equinor em Rodocrosita.

Sete blocos arrematados • 7 de outubro de 2026
BaciaBlocoArrematante
CamposMagnetitaPRIO
CamposHematitaPRIO
CamposAzuritaPetrobras
SantosCruzeiro do SulPetrobras
SantosJadeCNOOC / Sinopec
SantosRubiEquinor
SantosRodocrositaEquinor / Galp

Cada bloco recebeu uma única proposta. Fonte: cobertura do UOL sobre a sessão.

O que os sete blocos representam

Sete de 13 blocos correspondem a 53,8% das áreas oferecidas. Esse percentual mede a quantidade de blocos arrematados: áreas diferentes podem ter dimensões, riscos e potenciais econômicos muito distintos. Por isso, essa proporção não mede a parcela das reservas, do valor econômico ou da produção futura abrangida pelo resultado.

Como pode haver ágio sem disputa?

Proposta única significa que, naquele bloco, houve somente uma oferta. Uma empresa ou um consórcio pode apresentar uma proposta superior ao mínimo exigido mesmo sem outro concorrente na sessão. Segundo a Folha de S.Paulo, houve ágio nas áreas arrematadas. O resultado combina, portanto, ausência de concorrência direta por bloco e ofertas acima dos pisos previstos.

A sessão foi o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção. Como explica a ANP, o bônus de assinatura é fixado no edital; vence a proposta com o maior percentual de excedente em óleo para a União. O ágio compara o percentual ofertado com o mínimo exigido para o bloco.

Exemplo hipotético: se o mínimo fosse 10% e a oferta vencedora fosse 15%, a diferença seria de 5 pontos percentuais. O ágio seria de 50%, pois a oferta supera o piso em metade do valor inicial: (15 − 10) ÷ 10 = 50%. Esses números servem apenas para explicar o cálculo; não representam uma oferta deste leilão.

Bônus, custo em óleo e excedente: o que muda

O bônus de assinatura é o valor em dinheiro previsto no edital, associado à contratação. O custo em óleo é a parcela da produção destinada a recuperar custos admitidos pelo contrato. O excedente em óleo é a parcela partilhada entre a União e o contratado conforme as regras aplicáveis. São grandezas diferentes: pagamento inicial, recuperação de custos e divisão do resultado da produção.

Assim, oferecer 15% do excedente em óleo, no exemplo, significa destinar essa fração da parcela partilhável à União. O cálculo efetivo segue o contrato e não corresponde simplesmente a aplicar 15% sobre toda a produção bruta do bloco.

Por que a proximidade com outros campos importa

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a proximidade com operações existentes esteve entre os fatores considerados pelas empresas. A publicação relaciona as aquisições da PRIO à região de Wahoo, na Bacia de Campos, e aponta a proximidade de uma das áreas adquiridas pela Equinor com Bacalhau, em Santos.

Na leitura editorial do LAWINFRA, a possibilidade de aproveitar conhecimento geológico, logística e infraestrutura já instalada ajuda a entender por que uma área pode ter valor estratégico especial para determinado operador. Esse aproveitamento depende das características do projeto. A localização próxima, isoladamente, não assegura integração técnica nem retorno econômico.

Como ler o resultado e o que acompanhar

Para avaliar a atratividade do certame, é necessário combinar o número de propostas, as condições de cada bloco e a capacidade de transformar a exploração em projetos viáveis. A ausência de disputa direta mostra concorrência limitada na sessão, mas não basta, sozinha, para concluir que as áreas foram subavaliadas. Da mesma forma, ágio elevado sobre um piso reduzido não demonstra, isoladamente, maior valor econômico absoluto.

Para operadores e investidores, o acompanhamento passa agora pelos resultados consolidados, pela contratação e pelos programas de trabalho de cada área. Para fornecedores, esses programas ajudarão a identificar a possível demanda por estudos, serviços e equipamentos. Na avaliação do LAWINFRA, o sinal comercial mais útil será o avanço de compromissos exploratórios para cronogramas concretos de execução.