Energia injetada pela geração distribuída cresceu 41,8% em 2025

Painel da EPE registra alta de 16,2 TWh em 2025; distribuidoras projetam avanço de 18,1% em 2026 e participação de 21,2% no consumo cativo.
A energia injetada pela micro e minigeração distribuída (MMGD) cresceu 41,8% em 2025, acréscimo de 16,2 terawatts-hora (TWh) em relação a 2024. O dado realizado foi divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na edição de 2026 do Painel Mercado de Distribuição.
Para 2026, as distribuidoras projetam avanço de 18,1%, equivalente a mais 10 TWh. A estimativa aponta desaceleração percentual depois do salto observado no ano anterior, mas mantém expansão relevante do volume entregue por painéis solares e outras unidades de geração conectadas às redes de distribuição.
MMGD já equivale a mais de um quinto do consumo cativo projetado
A EPE também mediu o peso dessa energia sobre o mercado regulado. Em 2025, a injeção da MMGD correspondeu a 17,8% do consumo cativo. A expectativa informada pelas distribuidoras é que a proporção alcance 21,2% em 2026, aumento de 3,3 pontos percentuais segundo o painel.
O indicador não significa que toda a energia injetada seja consumida instantaneamente pela mesma unidade ou que substitua, na mesma proporção, todos os custos da rede. A geração varia por horário e local, enquanto a infraestrutura continua necessária para receber excedentes, compensar créditos e atender os consumidores quando a produção própria cai.
Carga, rede e tarifas entram no mesmo cálculo
A expansão altera as projeções de carga que orientam contratação de energia, operação e investimentos das distribuidoras. Também amplia a importância de medir corretamente os fluxos bidirecionais, as perdas e os efeitos tarifários entre consumidores que geram energia e os demais usuários da rede.
O painel mostra outro movimento simultâneo: a participação do mercado livre no consumo total das redes de distribuição deve passar de 39,9% em 2025 para 41,2% em 2026. A combinação de migração para o ambiente livre e crescimento da geração distribuída reduz a base cativa sobre a qual parte dos custos é recuperada.
O que o painel mede — e o que ainda não conclui
A edição de 2026 passou a incluir dados de energia injetada pela MMGD e informações sobre perdas na distribuição. O comunicado da EPE, porém, não apresenta um número agregado nacional de perdas; esse efeito deve ser analisado nos dados completos do painel e nos processos regulatórios correspondentes.
Os valores de 2026 são projeções fornecidas pelas distribuidoras, não uma garantia de realização. Mudanças econômicas, ritmo de instalação de novos sistemas, irradiação, regras de compensação e migração de consumidores podem alterar o resultado efetivo.
Excedentes agregados exigem regra própria
A discussão se conecta ao tratamento regulatório do excedente agregado de geração distribuída que ultrapassa a carga cativa em determinados horários. Parecer jurídico recente abriu caminho para a ANEEL estudar sua contabilização no mercado de curto prazo, mas a medida ainda depende de análise técnica, consulta e decisão regulatória.
O próximo ponto de controle será comparar as projeções com os dados realizados e observar como ANEEL, EPE, Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e distribuidoras incorporarão a nova composição do mercado ao planejamento, às tarifas e às regras de contabilização.
