CDE chega a R$ 52,66 bilhões; parcela nas tarifas cresce 15,4%

Conta setorial ficou 7% acima de 2025. Dos recursos aprovados, R$ 47,793 bilhões correspondem à CDE-Uso, custeada pelos consumidores nas tarifas.
A Agência Nacional de Energia Elétrica confirmou em R$ 52,66 bilhões o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético de 2026. O total é 7% superior aos R$ 49,227 bilhões considerados para 2025.
Conta reúne políticas públicas e subsídios
A CDE financia políticas e subsídios do setor elétrico, como Tarifa Social, Luz para Todos e incentivos a fontes de geração. O orçamento reúne receitas e despesas de naturezas diferentes; sua aprovação não significa que todo o valor se transforme em investimento físico.
CDE-Uso de R$ 47,793 bilhões recai nas tarifas
As quotas da CDE-Uso somam R$ 47,793 bilhões. Essa parcela é paga pelos consumidores por meio das tarifas de uso dos sistemas de distribuição e transmissão e ficou 15,4% acima do valor de 2025.
A ANEEL ratificou as quotas mensais provisórias que as concessionárias de distribuição recolhem desde janeiro. Para transmissoras, o cálculo segue os Procedimentos de Regulação Tarifária e as Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão vinculadas à CDE. As permissionárias mantêm os valores homologados em seus processos tarifários de 2026.
Impacto varia conforme a distribuidora e a classe
O aumento da CDE-Uso cria pressão de custo, mas não permite calcular um reajuste uniforme para cada conta. O efeito final depende do processo tarifário de cada distribuidora, da classe de consumo, da tensão, de outros componentes da tarifa e dos mecanismos de compensação aplicáveis.
A Consulta Pública 44/2025 recebeu 94 contribuições entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, apresentadas por 34 agentes, entre beneficiários, distribuidoras, geradores, associações, conselhos de consumidores e institutos de pesquisa.
Teto de 2027 será outra etapa
O orçamento de 2027 será o primeiro submetido ao novo teto legal para determinadas despesas da CDE. Essa discussão é separada da confirmação do valor de 2026 e ainda dependerá da proposta, dos ajustes financeiros e da deliberação regulatória correspondentes.
Consumidores, distribuidoras e beneficiários devem acompanhar as quotas homologadas e os próximos processos tarifários. A transparência sobre cada despesa será decisiva para distinguir política pública, subsídio setorial e custo efetivamente repassado à tarifa.
